. Parece, às vezes, que o externo do pensamento do homem não é em si como é o interno. Mas isso acontece porque o amor da vida com seus internos ao seu redor põe abaixo de si um substituto que se chama amor dos meios e a ele incumbe de cuidar e guardar para que nenhuma de suas concupiscências apareça. Por esse substituto, pela astúcia de seu príncipe, que é o amor da vida, fala e age segundo as coisas civis do reino, segundo as coisas morais da razão e segundo as coisas espirituais e celestes da igreja, e em alguns tão astuta e engenhosamente que ninguém vê que não são tais quais falam e agem; e por fim, por esse disfarce, eles mesmos não sabem outra coisa. Tais são todos os hipócritas e tais são os sacerdotes que de coração têm o próximo como nada, não temem Deus e, todavia, pregam sobre o amor ao próximo e sobre o amor de Deus. Tais são os juízes que julgam segundo os presentes e as amizades, enquanto simulam zelo pela justiça e falam pela razão sobre o juízo. Tais são os negociantes insinceros de coração e fraudulentos, quando agem sinceramente por causa do ganho, e tais são os adúlteros quando, pela racionalidade que todo homem tem, falam sobre a castidade do casamento, e assim por diante. [2] Mas esses mesmos - se despirem o amor dos meios, o substituto do amor de suas vidas, de seus vestidos de púrpura e linho fino com que o envolveram, e vestirem-no de sua roupa doméstica - então pensam inteiramente o contrário, e às vezes assim falam pelo seu pensamento quando se acham com amigos íntimos que estão em semelhante amor da vida. Pode-se acreditar que quando esses falaram pelo amor dos meios de maneira tão justa, sincera e piedosa, então a qualidade do interno do pensamento não estava no externo do seu pensamento, mas, no entanto, estava. Neles está a hipocrisia, neles está o amor de si e do mundo, cuja astúcia é angariar a reputação da honra ou por causa do ganho até à última aparência. Essa qualidade do interno está no externo de seu pensamento, quando assim falam e agem.