. Os que estão na fé separada da caridade e se confirmaram pelo que Paulo disse aos romanos, que pela fé o homem é justificado, sem as obras da lei (Rm. 3:28); eles adoram essa afirmação como os que adoram o sol e tornam-se como aqueles que fixam os olhos firmemente no sol, pelo que a vista, sendo ofuscada, não vê coisa alguma por meio da luz. Com efeito, não vêem o que ali se entende por "obras da lei", que são os rituais descritos por Moisés em seu livro, os quais são em toda parte ali chamados lei, e não os preceitos do Decálogo. Por isso, para que não sejam entendidos os preceitos do Decálogo, [Paulo] explica, dizendo: "Anulamos pois a lei pela fé? Longe disso, mas estabelecemos a lei" (Rm. 3:31). Aqueles que por essa sentença se confirmaram na fé separada, pela fixação dos olhos nessa passagem como no sol, não vêem onde Paulo enumera as leis da fé, que são as obras mesmas da caridade. Pois o que é a fé sem suas leis? Tampouco vêem onde ele enumera as obras más, dizendo que aqueles que as fazem não podem entrar no céu. Daí é evidente quanta cegueira é introduzida por essa única passagem mal entendida.