. (vi.) O Senhor então purifica o homem das concupiscências do mal no homem interno e dos males mesmos no externo. Que o Senhor então purifique o homem das concupiscências do mal, quando o homem remove os males como por si mesmo, é porque antes disso o Senhor não pode purificá-lo, porquanto os males estão no homem externo e as concupiscências do mal no interno, e esses são coerentes como a raiz com o tronco. Por isso, se os males são forem afastados, não haverá abertura, pois eles obstruem e fecham a porta, a qual o Senhor não pode abrir a não ser por intermédio do homem, como se mostrou há pouco acima. Assim, quando o homem abre a porta como por si mesmo, então o Senhor extirpa também as concupiscências. A razão disso é, também, porque o Senhor atua no íntimo do homem e do íntimo, em conseqüência, até os últimos, e nos últimos está ao mesmo tempo o homem. Assim, enquanto os últimos são mantidos fechados pelo homem mesmo, não pode haver purificação alguma, mas somente uma operação feita pelo Senhor nos interiores tal como a operação do Senhor no inferno, em cuja forma está o homem que está nas concupiscências e ao mesmo tempo nos males. Essa operação é somente uma disposição para que um não destrua o outro e a fim de que o bem e o vero não sejam violados. Que o Senhor continuamente pressione e insista para que o homem abra a porta, vê-se pelas palavras do Senhor no Apocalipse: "Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a Minha voz, e abrir a porta, entrarei nele, e cearei com ele, e ele comigo" (Ap. 3: 20).