. A isso acrescentarei dois arcanos da sabedoria angélica pelos quais se pode ver como a Divina Providência é. O primeiro é que o Senhor nunca age separadamente em algum particular no homem se não agir ao mesmo tempo em todas as demais coisas. O segundo é o que o Senhor age pelos íntimos e pelos últimos ao mesmo tempo. Se o Senhor não age separadamente em algum particular no homem se não agir ao mesmo tempo em todas as demais coisas suas é porque todas as coisas do homem estão numa conexão tal e, pela conexão, numa forma tal que não agem como muitas, mas como uma só. Sabe-se que o homem, quanto ao corpo, é uma tal conexão e, pela conexão, uma tal forma. Numa forma semelhante, pela conexão de todas as coisas, está também a mente humana, pois a mente humana é o homem espiritual e é também o homem na realidade. Assim é que o espírito do homem, que é sua mente no corpo, é em toda forma um homem. Por isso é que o homem, após a morte, é igualmente homem, como no mundo, com a única diferença que rejeitou os despojos que constituíam seu corpo no mundo. [2] Ora, visto que a forma humana é tal que todas as partes fazem o geral, que age como um, segue-se que uma coisa não pode ser tirada de seu lugar e ser mudada quanto ao estado a não ser com o consentimento das restantes, pois se uma fosse tirada do lugar e mudada quanto ao estado, a forma que age como um sofreria. Por aí é evidente que o Senhor nunca age em algum particular sem agir ao mesmo tempo em todas as coisas. Assim o Senhor atua em todo o céu angélico, porquanto todo o céu angélico é, aos olhos do Senhor, como um só Homem. Assim também o Senhor atua em cada anjo, porque cada anjo é um céu na menor forma. E assim também atua em cada homem, de muito perto, em todas as coisas de sua mente e, por elas, em todas as coisas de seu corpo, pois a mente do homem é o seu espírito e, segundo a conjunção com o Senhor, é um anjo, e o corpo é a obediência. [3] Mas cumpre observar muito bem que o Senhor também atua separadamente mesmo nas coisas mais singulares em todo particular do homem, mas ao mesmo tempo por todas as coisas de sua forma, entretanto não muda o estado de parte alguma, ou de coisa alguma em particular a não ser de modo conveniente ao todo da forma. Mas a este respeito se dirão muitas coisas na seqüência, onde será demonstrado que a Divina Providência do Divino está nos universais porque está no singulares, e está nos singulares porque está nos universais. [4] Que o Senhor atue pelos íntimos e pelos últimos ao mesmo tempo é porque assim, e não de outro modo, todas e cada uma das coisas são mantidas em conexão, pois as intermediárias dependem sucessivamente dos íntimos até os últimos, e nos últimos elas estão ao mesmo tempo. Com efeito, no tratado Divino Amor e Divina Sabedoria, na Terceira Parte, mostrou-se que nos últimos está o simultâneo de todos desde o primeiro. Por isso também o Senhor de eternidade, ou JEHOVAH, veio ao mundo e aí tomou um Humano e dele Se revestiu, para que pudesse estar ao mesmo tempo nos últimos, desde os primeiros, e assim, dos primeiros pelos últimos, governar todo o mundo e assim salvar os homens aos quais pode salvar, segundo as leis de Sua Divina Providência, que também são leis de Sua Divina Sabedoria. E assim é que se sabe em todo o mundo cristão que nenhum mortal poderia ser salvo se o Senhor não tivesse vindo ao mundo, conforme se vê na Doutrina da Nova Jerusalém sobre a Fé (n° 35). Assim é que o Senhor é chamado o Primeiro e o Último.