. (i.) Ninguém é reformado por meio de milagres e sinais, porque eles constrangem. Que o homem tenha um interno e um externo do pensamento e que o Senhor influa no homem pelo interno do pensamento no seu externo e, assim, o ensine e conduza, mostrou-se acima. Também, que é da Divina Providência que o homem aja pelo livre segundo a razão. Um e outro pereceriam no homem se se fizessem milagres e o homem fosse por eles persuadido a crer. Que seja assim, pode-se ver racionalmente da seguinte maneira: não se pode negar que os milagres induzem a fé e persuadem firmemente que seja verdadeiro aquilo que é ensinado e feito por quem faz os milagres; isso, no início, ocupa de tal modo o externo do pensamento do homem que, por assim dizer, o prende e fascina. Mas por esse modo ele é privado de suas duas faculdades que se chamam racionalidade e liberdade, de modo que o homem [não] pode agir pelo livre segundo a razão. Então o Senhor não pode influir pelo interno no externo de seu pensamento, a não ser apenas deixando confirmar por sua racionalidade essa coisa que, pelo milagre, tornou-se de sua fé.
[2] O estado do pensamento do homem é tal que do interno do pensamento vê uma coisa no externo do seu pensamento como numa espécie de espelho, pois, como foi dito acima, o homem pode ver seu pensamento, o que não poderia ocorrer se não tivesse um pensamento interior. E como vê essa coisa como num espelho, pode também voltá-la para um e outro lados, e formá-la até lhe parecer bela. Essa coisa, se for uma verdade, pode ser comparada a uma virgem ou a um rapaz, ambos belos e vivos. Mas se o homem não puder voltar essa coisa para um e outro lados e formá-la, mas somente crer nela pela persuasão induzida pelo milagre, então, se for verdadeira, pode ser comparada à virgem ou ao rapaz esculpidos em pedra ou madeira, nos quais nada há de vivo; pode também ser comparada a um objeto que está continuamente diante da vista e somente ele é visto, escondendo tudo aquilo que se encontra em ambos os lados e por trás do objeto. Também pode ser comparada a um som contínuo no ouvido, que tira a percepção da harmonia vinda de muitos sons. Essa cegueira e essa surdez são introduzidas na mente humana pelos milagres. Ocorre de modo semelhante com tudo o que é confirmado e que não é visto por alguma racionalidade antes da confirmação.
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