. Mas o efeito dos milagres nos bons é diferente do efeito nos maus. Os bons não querem milagres, mas crêem nos milagres porque estão na Palavra. E se ouvem alguma coisa sobre o milagre, não prestam atenção a isso senão como um fraco argumento que confirma a sua fé, pois eles pensam pela Palavra, assim, pelo Senhor, e não pelo milagre. É diferente, porém, com os maus. Esses podem, de fato, ser persuadidos e constrangidos à fé, até mesmo ao culto e à piedade, mas somente por pouco tempo, pois os seus males se acham encerrados, dos quais as concupiscências e os prazeres daí atuam continuamente no externo do culto e em sua piedade para saírem de sua prisão e brotarem. Eles pensam nos milagres mas acabam por chamá-lo de engano ou artifício ou obra da natureza, e assim retornam aos seus males. Quem retorna aos seus males depois do culto profana os veros e os bens do culto, e a sorte dos profanadores após a morte é a pior de todas. São esses os que se entendem pelas palavras do Senhor em Mateus (12:43-45): seu estado posterior se torna pior que o anterior. Além disso, se se fizessem milagres entre aqueles que não crêem pelos milagres da Palavra, teriam de ser feitos continuamente e perante a vista de todos os que são assim. Por aí se pode ver a razão por que hoje não se fazem milagres.
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