. (iv.) Ninguém é reformado em estados de não racionalidade e de não liberdade. Mostrou-se acima que nada é apropriado ao homem exceto aquilo que ele faz pelo livre segundo a razão. A causa disso é que o livre pertence à vontade e a razão pertence ao entendimento, e quando o homem age pelo livre segundo a razão, então age pela vontade por meio de seu entendimento, e o que se faz em conjunção de uma e outro, isto lhe é apropriado. Ora, como o Senhor quer que o homem seja reformado e regenerado para que tenha a vida eterna ou a vida do céu, e ninguém pode ser reformado e regenerado a menos que o bem seja apropriado à sua vontade para ser como se fosse seu, e o vero ao seu entendimento também como se fosse seu, e visto que nada pode ser apropriado a alguém senão aquilo que se faz pelo livre da vontade segundo a razão do entendimento, segue-se que ninguém é reformado em estados de não liberdade e não racionalidade. Há muitos estados de não liberdade e não racionalidade, mas em geral podem ser referidos a estes estados: de temor, de infortúnio, de enfermidade da mente, de doença do corpo, de ignorância e de cegueira do entendimento. Mas dir-se-á alguma coisa em particular sobre cada um destes estados.