DIVPROV &139

Sabedoria Angélica sobre a DIVINA PROVIDÊNCIA
Emanuel Swedenborg
Doutrina da Nova Jerusalém sobre a Divina Providência

. Que ninguém seja reformado num estado de temor é porque o temor tira o livre e a razão, ou a liberdade e a racionalidade. Com efeito, o amor abre os interiores da mente, mas o temor os fecha, e quando são fechados, o homem pensa em poucas coisas e somente naquelas que se apresentam à sua mente ou aos seus sentidos. São assim todos os temores que invadem a mente.
[2] Que o homem tenha um interno do pensamento e um externo do pensamento, mostrou-se acima. O temor não pode jamais invadir o interno do pensamento; este está sempre no livre, porque está no amor de sua vida; mas pode invadir o externo do pensamento. Quando invade, fecha o interno do pensamento, e este sendo fechado, o homem não pode mais agir pelo livre segundo a sua razão, portanto, não pode se reformado.
[3] O temor que invade e fecha o externo do pensamento é principalmente o temor de perder a honra ou o ganho. Já o temor das penas civis e das penas eclesiásticas externas não os fecha, porque essas leis só ditam penas para aqueles que falam e agem contra as coisas civis do reino e as coisas espirituais da igreja, mas não para os que pensam contra elas.
[4] O temor das penas infernais até invade o externo do pensamento, mas apenas por alguns momentos, ou algumas horas, ou alguns dias, mas o homem é logo reposto em seu livre pelo interno do pensamento, que é propriamente do espírito e do amor da vida, que se chama pensamento do coração.
[5] Mas o temor da perda da honra ou do ganho invade o externo do pensamento do homem e, quando invade, fecha então o interno do pensamento, pelos superiores, ao influxo do céu, e faz com que o homem não possa ser reformado. A razão disso é que o amor da vida de cada homem, por nascimento, é o amor de si e do mundo; o amor de si faz um com o amor da honra e o amor do mundo faz um com o amor do ganho. Por isso, quando o homem está na honra ou no ganho, pelo temor de perdê-los confirma em si os meios que lhe servem para a honra e o ganho, os quais são tanto civis como eclesiásticos de um e outro governos. Dá-se de modo semelhante com aquele que ainda não está na honra e no ganho, se os aspira, mas os procura pelo temor de perder a reputação por causa deles.
[6] Foi dito que esse temor invade o pensamento externo e fecha o interno, pelos superiores, ao influxo do céu. Diz-se que este está fechado quando faz inteiramente um com o externo, pois estão não está em si, mas no externo. Como, porém, os amores de si e do mundo são amores infernais e as fontes de todos os males, é evidente qual é em si o interno do pensamento naqueles em que esses amores são os amores da vida ou em quem eles reinam, a saber, está cheio de concupiscências dos males de todo gênero. Isso é o que não sabem aqueles que, pelo temor da perda da dignidade e da riqueza, estão numa firme persuasão de sua religiosidade, mormente numa religiosidade que envolva serem adorados como deidades e como plutões no inferno. Esses podem se inflamar como se fosse de zelo de salvação das almas e, todavia, tal inflamação vem do fogo infernal. Visto que esse temor tira principalmente a racionalidade mesma e a liberdade mesma, que são de origem celeste, é evidente que ele se opõe a que o homem possa ser reformado.

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