. Que ninguém seja reformado num estado de infortúnio, se somente então pensa em Deus e implora socorro é porque [este é um estado constrangido; por isso, tão logo volta à liberdade, ele também] (**) retorna ao estado anterior, no qual pouco pensava em Deus, se é que pensava. É diferente com aqueles que temiam a Deus no estado livre anterior. Por temer a Deus se entende temer ofendê-Lo, e ofendê-Lo é pecar, e isto não é temor, mas amor. Quem ama alguém, não teme fazer-lhe mal? E não é que quanto mais o ama, mais teme? Sem esse temor o amor é insípido e superficial, apenas do pensamento e nada da vontade. Pelos estados de infortúnio se entendem os estados de desespero diante dos perigos, como nas batalhas, nos duelos, nos naufrágios, nas quedas, nos incêndios, na perda iminente ou inesperada das riquezas, da função e, assim, da honra, e em outros estados semelhantes. Pensar em Deus somente nesses estados não vem de Deus, mas de si mesmo, porque então a mente está como que encarcerada no corpo, portanto não está na liberdade e, assim, não está na racionalidade, sem as quais não há reforma.