. Que ninguém seja reformado num estado de doença do corpo é porque a razão então não se acha num estado livre, pois o estado da mente depende do estado do corpo. Quando o corpo adoece, a mente também adoece, se não por outro motivo, pelo menos pelo afastamento do mundo, pois a mente afastada do mundo até pensa em Deus, mas não por Deus, por não se achar no livre da razão. O homem tem o livre da razão pelo fato de estar no meio, entre o céu e o mundo, e de poder pensar pelo céu e pelo mundo, tanto pelo céu a respeito do mundo como pelo mundo a respeito do céu. Assim, quando o homem está doente e pensa na morte e no estado de sua alma após a morte, então não está no mundo, mas abstraído quanto ao espírito, estado em que ninguém pode ser reformado, embora possa ser confirmado se antes de ter ficado doente tiver sido reformado.
[2] Dá-se semelhantemente com aqueles que renunciam ao mundo e todos os negócios ali e se entregam somente a pensamentos sobre Deus, o céu e a salvação, mas sobre isso dir-se-ão muitas coisas em outro lugar. Por isso, se essas mesmas pessoas não foram reformadas antes da doença, se morrerem, tornam-se depois tais quais eram antes da doença. Por conseguinte, é vão pensar que na morte alguém possa fazer penitência ou receber alguma fé, pois nenhuma ação há ali nessa penitência e nada da caridade nessa fé, pelo que em uma e outra tudo é de boca e nada de coração.
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