. Que tampouco alguém possa ser reformado num estado de cegueira do entendimento é porque esses também não conhecem os veros e, por conseguinte, a vida, pois o entendimento deve ensinar o que são e a vontade deve fazê-los. E quando a vontade faz o que o entendimento ensina, vive-se então segundo os veros. Quando, todavia, o entendimento está cego, também a vontade está obstruída e não faz, pelo livre segundo a sua razão, senão o mal confirmado no entendimento, que é o falso. Além da ignorância, a religião que ensina a fé cega também cega o entendimento, pois assim como os veros abrem o entendimento, também os falsos o fecham; fecham-no por cima mas abrem-no por baixo, e o entendimento aberto só por baixo não pode ver os veros, mas somente confirmar aquilo que se quer, principalmente o falso. O entendimento também se torna cego pelas cobiças do mal. Enquanto a vontade está nas cobiças, atua no entendimento para confirmá-las, e tanto quanto as cobiças do mal são confirmadas, mais a vontade não pode estar nas afeições do bem e, por eles, ver os veros e ser, assim, reformada.
[2] Seja como exemplo: em quem se acha na cobiça do adultério, a sua vontade, que está no prazer de seu amor, atua no seu entendimento para confirmar o adultério, dizendo: "Que é o adultério? Há nisso algum mal? Não é como entre um marido e sua esposa? Do adultério não podem igualmente nascer filhos? E não pode uma admitir muitos sem prejuízo? O que o espiritual tem em comum com isso?" Assim pensa o entendimento, que então é o prostituto da vontade, e torna-se tão estúpido por essa relação ilícita com a vontade que não pode ver que o amor conjugal é o amor espiritual e celeste mesmo, que é a imagem do amor entre o Senhor e a igreja, do qual também é derivado e, assim, em si mesmo é santo, a castidade mesma, a pureza e a inocência. É ele que faz com que os homens sejam amores na forma, pois os cônjuges podem se amar mutuamente dos íntimos e, assim, formarem-se em amores. O adultério destrói essa forma e, com ela, a imagem do Senhor. E, o que é horrendo, o adúltero mistura a sua vida com a vida do marido na esposa deste, pois na semente está a vida do homem.
[3] E como o adultério é profano, por isso o inferno é chamado adultério, e o céu, ao contrário, é chamado casamento. Também, o amor do adultério se comunica com o inferno mais baixo, enquanto o amor verdadeiramente conjugal se comunica com o céu íntimo. Os órgãos de geração de ambos os sexos também correspondem às sociedades do céu íntimo. Essas coisas foram citadas para que se saiba quão cego é o entendimento quando a vontade se acha na cobiça do mal, e que no estado de cegueira do entendimento ninguém pode ser reformado.
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