. Uma vez que o homem tem um interno e um externo, e ambos devem ser reformados para que o homem seja reformado, e uma vez que ninguém pode ser reformado a não ser que se examine, veja e reconheça seus males e, em seguida, desista deles, segue-se que não somente o externo deve ser examinado, mas também o interno. Se o externo somente for examinado, o homem não vê senão aquilo que em realidade praticou, por exemplo, que não matou, não adulterou, não roubou, não deu falso testemunho e assim por diante. Assim, examina os males de seu corpo e não os males de seu espírito. Todavia, os males do espírito devem ser examinados para que alguém seja reformado, pois o homem vive espírito após a morte e todos os males que estão nele permanecem. E o espírito não é examinado de outra maneira senão quando o homem presta atenção aos seus pensamentos, principalmente às intenções, pois as intenções são pensamentos provenientes da vontade. Ali estão os males em sua origem e em sua raiz, isto é, em suas concupiscências e em seus prazeres; se estes não são vistos e reconhecidos, o homem ainda está nos males, mesmo que nos externos não os pratique. Que pensar pela intenção seja querer e fazer, vê-se pelas palavras do Senhor:
"Se alguém olhar para a mulher de outro para cobiçá-la, já em seu coração cometeu adultério com ela" (Mt. 5:28).
Esse exame é quanto ao homem interno, pelo qual o homem externo é essencialmente examinado.
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