. Que o homem viva somente pelo Senhor e não por si mesmo, é o que se comprova pelas seguintes razões [Primeira]: Há uma única essência, uma única substância e uma única forma, das quais existem todas as essências, substâncias e formas que foram criadas. [Segunda:] Essa única essência, substância e forma é o Divino Amor e a Divina Sabedoria, dos quais existem todas as coisas que se referem ao amor e à sabedoria no homem. Há também o Bem mesmo e o Vero mesmo, aos quais todas as coisas se referem. Estes são a vida da qual há a vida de todas as coisas e todas as coisas da vida. Também, esse Único e esse Mesmo é onipresente, onisciente e onipotente, e esse Único e Mesmo é o Senhor de eternidade ou JEHOVAH.
[2] Primeiro: Que haja uma única essência, uma única substância e uma única forma, das quais existem todas as essências, substâncias e formas que foram criadas, mostrou-se no tratado Divino Amor e Divina Sabedoria (n° 44-46) e na Segunda Parte ali, onde se disse que o Sol do céu angélico, que é o Senhor e no qual está o Senhor, é essa única substância e forma da qual existem todas as coisas que foram criadas, e nade existe nem pode existir que não seja por esse Sol. Que desse Sol existam todas as coisas por derivações segundo os graus, foi demonstrado na Terceira Parte ali.
[3] Quem não reconhece e percebe pela razão que há uma única Essência de que vem toda essência, ou um único Ser de que vem todo ser? O que pode existir sem o Ser, e o que é o Ser de que vem todo ser, senão o Ser mesmo? E o que é o Ser mesmo é também o único Ser e o Ser em si. Como isto é assim - e qualquer um percebe e reconhece isto pela razão e, se não, pode perceber e reconhecer - que outra coisa se segue senão que esse Ser, que é o Divino mesmo, JEHOVAH, é o Todo de todas as coisas que são e existem?
[4] É o mesmo que dizer que há uma única substância de que vêm todas as coisas. E como a substância sem uma forma não é coisa alguma, segue-se também que há uma única forma, da qual todas as coisas existem. Que o Sol do céu angélico seja essa única substância e forma, e também de que maneira é variada essa essência, substância e forma nas coisas criadas, é o que se demonstrou no tratado acima referido.
[5] Segundo: Que essa única essência, substância e forma seja o Divino Amor e a Divina Sabedoria, dos quais existem todas as coisas que se referem ao amor e à sabedoria no homem, também foi demonstrado plenamente no tratado Divino Amor e Divina Sabedoria. Todas as coisas que no homem parecem viver se referem à vontade e ao entendimento nele; e que esses dois constituam a sua vida, qualquer um percebe e reconhece pela razão. E que outra coisa é [a vida] senão: "Quero isto" ou "Entendo isto", ou "Amo isto" ou "Penso isto"? E como o homem quer aquilo que ama e pensa aquilo que entende, por isso todas as coisas da vontade se referem ao amor, e todas as coisas do entendimento, à sabedoria. E como esses não podem existir por si mesmos em alguém, mas por Aquele que é o Amor mesmo e a Sabedoria mesma, segue-se que vêm do Senhor de eternidade ou JEHOVAH. Se não viessem d'Ele, o homem seria o amor mesmo e a sabedoria mesma, assim, um deus de eternidade, coisa que horripila à própria razão humana. Pode alguma coisa existir sem uma anterior a si? E essa anterior pode existir sem outra ainda mais anterior a si? E assim, finalmente, sem um Primeiro, que é, em Si?
[6] Terceiro: De modo semelhante, que é ao Bem mesmo e ao Vero mesmo que todas as coisas se referem. É aceito e reconhecido por todos os que têm uma razão que Deus é o Bem mesmo e o Vero mesmo, e também que todo bem e todo vero são provenientes d'Ele. Daí, também, que todo bem e vero não pode vir de outra parte senão do Bem e Vero mesmo. Estas afirmações são reconhecidas por todo homem racional assim que as ouve. Quando em seguida se diz que tudo o que é da vontade e do entendimento, ou tudo o que é do amor e da sabedoria, ou tudo o que é da afeição e do pensamento no homem que é conduzido pelo Senhor se refere ao bem e ao vero, segue-se que todas as coisas que esse homem quer e entende, ou as que ama e sabe, ou as que o afetam e nas quais pensa, são provenientes do Senhor. Assim é que qualquer um na igreja sabe que todo bem e todo vero que vêm do homem não são em si bem e vero, mas somente o que vem do Senhor. Visto que essas afirmações são a verdade, segue-se que tudo aquilo que tal homem quer e pensa é proveniente do Senhor. Que todo homem mau não possa tampouco querer e pensar por outra origem, ver-se-á na seqüência.
[7] Quarto: Que estes sejam a vida da qual há a vida de todas as coisas e todas as coisas da vida, mostrou-se muitas vezes no tratado Divino Amor e Divina Sabedoria. A razão humana, tão logo ouve, também aceita e reconhece que toda a vida do homem é de sua vontade e de seu entendimento, pois se a vontade e o entendimento lhe forem tirados, não vive. Ou, o que é o mesmo, que toda a vida do homem é do seu amor e do seu pensamento, pois se lhe forem tirados o amor e o pensamento, não vive. Ora, como tudo o que é da vontade e do entendimento, ou tudo o que é do amor e do pensamento, no homem, é proveniente do Senhor, como há pouco se disse acima, segue-se que o todo da vida provém d'Ele.
[8] Quinto: Que esse Único e Mesmo seja onipresente, onisciente e onipotente, isto também qualquer cristão reconhece por sua doutrina e também qualquer pagão por sua religião. Também é por isso que qualquer um, onde quer que esteja, pensa que onde ele está Deus está, e ora a Deus como presente; e como qualquer um assim pensa e assim ora, segue-se que não pode pensar de outra maneira senão que Deus está em toda parte, assim, que é onipresente. Do mesmo modo, que Ele é onisciente e onipotente, pelo que todo homem, orando a Deus, suplica de seu coração que Deus o conduza, porque Ele o pode. Assim, qualquer um reconhece, então, a Divina Onipresença, Onisciência e Onipotência, e reconhece porque então volta a face para o Senhor e d'Ele então influi esta verdade.
[9] Sexto: Que esse Único e Mesmo seja o Senhor de eternidade ou JEHOVAH. Na Doutrina da Nova Jerusalém sobre o Senhor mostrou-se que Deus é Um em essência e pessoa; que esse Deus é o Senhor; que o Divino mesmo, que é chamado JEHOVAH, o Pai, é o Senhor de eternidade; que o Divino Humano é o Filho concebido de Seu Divino de eternidade e nascido no mundo; e que o Divino procedente é o Espírito Santo. Diz-se Mesmo e Único porque anteriormente se disse que o Senhor de eternidade ou JEHOVAH é a Vida mesma, porque é o Amor mesmo e a Sabedoria mesma, ou o Bem mesmo e o Vero mesmo, dos quais todas as coisas procedem. Que o Divino tenha criado todas as coisas de Si Mesmo e não do nada, vê-se no tratado Divino Amor e Divina Sabedoria (n° 282-284, 349-357). Por essas afirmações fica confirmada por meio da razão a verdade de que o homem é conduzido e ensinado somente pelo Senhor.
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