. Pois que agora se disse a respeito da luz do céu, também deve-se dizer alguma coisa a respeito da luz do inferno. A luz no inferno também tem três graus. A luz no inferno mais baixo é como a luz de brasas; a luz no inferno médio é como a luz da chama e de uma fornalha; e a luz no inferno mais alto é como a luz de velas e, para alguns, como a luz noturna da lua. Essas luzes não são tampouco naturais, mas espirituais, pois toda luz natural é morta e extingue o entendimento, enquanto os que estão no inferno têm a faculdade de entender, que se chama racionalidade, como se mostrou anteriormente, e a racionalidade mesma vem da luz espiritual e de maneira alguma da luz natural. E a luz espiritual, que lhes vem da racionalidade, é mudada em luz infernal, como a luz do dia se muda em trevas da noite. Entretanto, todos os que estão no mundo espiritual, tanto os que estão nos céus como os que estão nos infernos, vêem em sua luz tão claramente quanto o homem na sua luz do dia. A razão disso é que a visão do olho de todos é formada para a recepção da luz em que se encontra. Assim, a visão do olho dos anjos do céu, para a recepção da luz em que está, e a visão do olho dos espíritos do inferno, para a recepção de sua luz; é, por comparação, como se dá com as corujas e os morcegos, que à noite e ao entardecer vêem os objetos tão claramente quanto as aves os vêem durante o dia, pois seus olhos foram formados para a recepção de sua luz. Mas a diferença entre essas luzes aparece nitidamente àqueles que de uma luz olham para outra, como quando um anjo do céu olha para o inferno: não vê ali senão uma mera escuridão; e quando um espírito do inferno olha para o céu, não vê ali senão escuridão; a razão disso é que a sabedoria celeste é como escuridão para os que estão no inferno; e, vice-versa, a insanidade dos infernos é como escuridão para os que estão no céu. Por aí se pode ver que, qual é o entendimento do homem, tal é para ele a luz, e cada um vem à sua luz após a morte, pois não vê em outra luz; e, no mundo espiritual, onde todos os espirituais estão também quanto às coisas corpóreas, os olhos de todos foram formados para verem na sua luz. O amor da vida de cada um faz para si o entendimento e, assim, também a luz, porque o amor é como o fogo da vida do qual a luz da vida procede.
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