. Que ao homem não seja concedido prever os eventos é também a fim de que possa agir pelo livre segundo a razão. Pois se sabe que tudo aquilo que o homem ama, seu efeito ele quer e para esse efeito se conduz por meio da razão. Além disso, não há coisa alguma que o homem reflita pela razão que não proceda do amor para vir pelo pensamento ao efeito. Por isso, se por uma Divina predição ele conhecesse o efeito ou evento, a razão repousaria e, com a razão, o amor. Pois o amor com a razão terminam no efeito e por ele começam de novo. O prazer mesmo da razão é, pelo amor no pensamento, ver o efeito não no efeito, mas antes dele, ou, não no presente, mas no futuro. Assim é que existe para o homem o que se chama esperança, que aumenta ou diminui na razão conforme vê ou tem a expectativa do evento. Esse prazer se completa no evento, mas em seguida se apaga com o pensamento a seu respeito. Seria de modo semelhante com um acontecimento previamente conhecido. [2] A mente do homem está continuamente nestes três que se chamam fim [ou propósito], causa e efeito. Se faltar um destes, a mente humana não estará em sua vida. A afeição da vontade é o fim de que se procede; o pensamento do entendimento é a causa pela qual se procede; e a ação do corpo, a fala da boca ou a sensação externa são os efeitos do fim pelo pensamento. Que a mente humana não esteja em sua vida quando está só na afeição da vontade e não além disso, do mesmo modo que quando está somente no efeito, qualquer um vê. Por isso a mente não tem vida alguma por um deles separadamente, mas pelos três juntamente. Essa vida da mente diminui e se retira no evento predito.