DIVPROV &183

Sabedoria Angélica sobre a DIVINA PROVIDÊNCIA
Emanuel Swedenborg
Doutrina da Nova Jerusalém sobre a Divina Providência

. Parece não verossímil que o homem ou negaria a Deus ou far-se-ia um deus se visse manifestamente a Divina Providência, pois o que se vê é que se alguém a visse manifestamente, não poderia deixar de reconhecê-la e, assim, reconhecer a Deus. Entretanto, o que acontece é o contrário. A Divina Providência nunca age unida ao amor da vontade do homem, mas continuamente contra esse amor. Pois o homem, pelo seu mal hereditário, anseia sempre o inferno mais baixo, enquanto o Senhor, por Sua Divina Providência, continuamente o afasta e tira dali, primeiro para um inferno mais brando, depois tirando-o do inferno e finalmente levando-o para Si, no céu. Essa operação da Divina Providência é perpétua. Por isso, se o homem visse ou sentisse manifestamente essa ação de afastar e retirar, irritar-se-ia, teria Deus por inimigo e O negaria pelo mal de seu proprium. Por esse motivo, para que o homem ignore isso, é mantido no livre, pelo qual não sabe outra coisa senão que a si mesmo se conduz.
[2] Mas alguns exemplos servirão para ilustração. Pelo hereditário, o homem quer se tornar grande e também ser rico, e tanto quanto seus amores não são refreados, cada vez maior e mais rico, e, finalmente, o maior e o mais rico de todos. E ainda assim não descansaria, porque quer ser maior do que Deus mesmo e possuir o céu mesmo. Essa cupidez jaz intimamente no mal hereditário e, daí, na vida do homem e na natureza de sua vida. A Divina Providência não suprime isso num só momento, pois se o suprimisse num só momento, o homem não viveria. Mas suprime-o tácita e sucessivamente e, além disso, de modo que o homem nada saiba a tal respeito. Faz isso pelo fato de permitir ao homem agir segundo o pensamento, o que ele faz pela razão, e então conduzi-lo por vários meios, tanto racionais quanto civis e morais. Assim o conduz no livre tanto quanto possa ser conduzido. Tampouco o mal pode ser suprimido de alguém, a menos que se mostre, seja visto e reconhecido; é como uma ferida, que não se cura se não for aberta.
[3] Se, pois, o homem soubesse e visse que o Senhor, por Sua Divina Providência, opera assim contra o amor de sua vida, do que o homem tem o maior prazer, não poderia deixar de ir em sentido contrário e exasperar-se, contestar, falar coisas duras e, enfim, por seu mal, afastar-se da operação da Divina Providência, negando-a e, assim, negando a Deus. Principalmente se visse ser impedido nos sucessos, destituído da dignidade e privado da riqueza.
[4] Mas deve-se saber que o Senhor nunca dissuade o homem de buscar honrarias e de adquirir riquezas, mas somente o dissuade da cupidez de buscar honrarias por causa da eminência somente ou por causa de si, como também o dissuade de adquirir riquezas por causa da opulência somente ou por causa das riquezas. Quando, porém, o dissuade disso, o introduz no amor dos usos, para que vise a eminência não por causa de si, mas por causa dos usos, para que assim esteja nos usos e daí em si, e não em si e daí nos usos. Dá-se o mesmo com relação à opulência. Que o Senhor continuamente humilhe os soberbos e exalte os humildes, Ele mesmo ensina em muitas passagens na Palavra, e o que Ele ensina ali é também de Sua Divina Providência.

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