. (iv.) É concedido ao homem ver a Divina Providência por trás e não pela face; também, num estado espiritual e não num estado natural. Ver a Divina Providência por trás e não pela face é depois dela e não antes dela; e de um estado espiritual e não de um estado natural é do céu e não do mundo. Todos aqueles que recebem o influxo do céu e reconhecem a Divina Providência, e principalmente os que se tornam espirituais por meio da reforma, quando vêem os eventos numa certa série admirável, vêem a Divina Providência por um reconhecimento interior, por assim dizer, e a confessam. Esses não querem vê-la pela face, isto é, antes que exista, pois temem que sua vontade entre em alguma coisa de sua ordem e de seu curso. [2] É diferente com os que não admitem influxo algum do céu, mas somente do mundo, principalmente aqueles que se tornaram naturais pela confirmação das aparências. Esses não vêem coisa alguma da Divina Providência por trás ou depois dela, mas querem vê-la pela face ou antes que exista. E como a Divina Providência opera por meios, e os meios são efetuados pelo homem ou pelo mundo, por isso, quer a vejam pela face ou por trás, atribuem-na ou ao homem ou à natureza, e, assim, confirmam-se em sua negação. A razão de assim atribuírem é porque seu entendimento foi fechado pelos superiores e aberto somente pelos inferiores, por conseguinte, fechado para o céu e aberto para o mundo, e não é concedido ver do mundo a Divina Providência, mas é concedido vê-la do céu. Algumas vezes pensei se, sendo-lhes aberto o entendimento pelo superiores, não veriam como na claridade do dia que a natureza em si é morta, e a inteligência humana em si é nula, mas que uma e outra pareçam ser alguma coisa, portanto, se eles não reconheceriam pelo influxo a Divina Providência, e percebi que aqueles que se confirmaram em favor da natureza e da prudência humana não o reconheceriam, porque a luz natural vindo de baixo logo extinguiria a luz espiritual influindo de cima.