. Há muitas coisas constantes criadas para que as inconstantes possam existir. As constantes são as repetições fixas do nascer e do ocaso do sol e da lua, como também das estrelas; seus obscurecimentos por interposições, que se chamam eclipses; o calor e a luz proveniente deles; as estações do ano, que se chamam primavera, verão, outono e inverno; e as partes do dia, que são manhã, meio-dia, tarde e noite; são também as atmosferas, as águas e a terra considerada em si mesma; a faculdade vegetativa no reino vegetal e essa faculdade vegetativa e também prolífica no reino animal; além disso, as que se fazem constantemente por estas, quando são postas em ação segundo as leis da ordem. Estas e muitas outras coisas foram providas por criação para que possam existir numa variedade infinita, porquanto os variados não podem existir senão nos constantes, fixos e certos. [2] Mas isso será ilustrado por exemplos: As variedades da vegetação só existem pelo nascer e ocaso do sol e, assim, por calores e luzes constantes. As harmonias dos sons são de infinita variedade e só existem se a atmosfera em suas leis e o ouvido em sua forma forem constantes. As variedades da visão, que são também infinitas, só existem se o éter em suas leis e o olho em sua forma forem constantes, do mesmo modo que as cores, se a luz for constante. Dá-se de modo semelhante com os pensamentos, a linguagem e as ações, que também são de uma variedade infinita e não existiriam a menos que os orgânicos do corpo fossem constantes. Uma casa não deve ser constante, para que coisas variadas possam ali ser feitas pelo homem? Do mesmo modo o templo, para que ali possa haver o culto, os sermões, as instruções e as meditações de piedade. Assim também com as demais coisas. [3] No que concerne às variedades que se fazem nos constantes fixos e certos, elas vão até o infinito e não têm limite; e, não obstante, não existe jamais uma que seja semelhante à outra em todas e cada uma das coisas do universo, nem pode existir nas sucessões pela eternidade. Quem dispõe essas variedades progredindo ao infinito e ao eterno para que estejam na ordem, a não ser Aquele que criou as constantes, para que nelas existissem? E quem pode dispor as infinitas variedades da vida nos homens, senão Aquele que é a Vida mesma, isto é, o Amor mesmo e a Sabedoria mesma? Porventura sem a Sua Divina Providência, que é como uma contínua criação, as infinitas afeições e, daí, os pensamentos nos homens, portanto, os homens mesmos, podem ser dispostos para que façam um - as afeições e, daí, os pensamentos maus fazendo um diabo, que é o inferno, e as afeições e os pensamentos bons daí em um único Senhor, no céu? Que todo o céu angélico seja à vista do Senhor como um só Homem, que é Sua imagem e semelhança, e que todo o inferno seja, no oposto, como um único homem monstro, foi dito e mostrado algumas vezes anteriormente. Estas coisas foram ditas porque alguns homens naturais tiram também das coisas constantes e fixas, que são necessidades a fim de que nelas as variedades existam, os argumentos de seu delírio em favor da natureza e em favor da própria prudência. * * * * * * * V - A prudência própria é nula, somente parece existir e também deve parecer que existe; mas a Divina Providência pelos muito singulares é universal.