. Acima se mostrou que não existe pensamento algum no homem que não proceda de alguma afeição do amor de sua vida, e que o pensamento nada é senão uma forma da afeição. Como, pois, o homem vê o seu pensamento e não pode ver a afeição, pois esta ele sente, segue-se que pela vista, que está na aparência, estabelece que a prudência própria faz todas as coisas, e isso não pela afeição, que não vem à vista, mas ao sentido. Com efeito, a afeição somente se manifesta por algum prazer do pensamento e pelo desejo de raciocinar a seu respeito, e então esse desejo e esse prazer fazem um com o pensamento naqueles que estão na fé da prudência própria pelo amor de si ou pelo amor do mundo, e o pensamento em seu prazer flui como um navio numa correnteza favorável que o capitão não nota senão quando presta atenção à vela que se expande.