. A Divina Providência do Senhor é universal nos mais singulares pelo fato de o Senhor ter criado o universo para que exista por Ele uma criação infinita e eterna, da qual o Senhor forme o céu consistindo de homens que, diante d'Ele, serão como um único homem, Sua imagem e semelhança. Que o céu consistindo de homens seja assim à vista do Senhor e que isso tenha sido o propósito da criação, mostrou-se acima, n° 27-45. E que o Divino vise o infinito e eterno em tudo que faz, n° 46-69. O infinito e eterno que o Senhor visa ao formar Seu céu consistindo de homens é que o céu seja ampliado infinita e eternamente; assim Ele habita constantemente no propósito de Sua criação. Essa criação infinita e eterna é o que Senhor proveu pela criação do universo, e nessa criação Ele está constantemente por Sua Divina Providência. [2] Quem pode ser tão destituído de razão que, sabendo e crendo pela doutrina da igreja que Deus é infinito e eterno (pois na doutrina de todas as igrejas no mundo cristão se afirma que Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo é infinito, eterno, incriado, onipotente, como se vê no Credo Atanasiano), não afirme quando ouve dizer que Ele não pode deixar de visar o infinito e eterno na grande obra de Sua criação? Que outra coisa pode visar, se age por Si? Assim, que Ele visa isso no gênero humano, do qual forma o Seu céu? Ora, que outra coisa pode a Divina Providência ter por propósito senão a reforma do gênero humano e a sua salvação? E ninguém pode ser reformado por si mesmo, por meio de sua prudência, mas pelo Senhor, por meio de Sua Divina Providência. Segue-se daí que, se o Senhor não conduzir o homem a cada momento, até o menor, o homem se afasta do caminho da reforma e perece. [3] Cada mudança e variação de estado da mente humana muda e varia em série o presente e, daí, os conseqüentes. O que não seria, progressivamente, na eternidade? É como a flecha lançada de um arco, que, se na mira fosse desviada minimamente do alvo, à distância de uma ou várias milhas se desviaria imensamente. Assim seria se o Senhor não conduzisse a cada um dos menores momentos o estado das mentes humanas. Isso o Senhor faz segundo as leis de Sua Divina Providência, segundo as quais também parece ao homem que ele se conduz a si mesmo. Mas o Senhor prevê de que maneira o homem se conduz e continuamente acomoda. Que as leis da permissão sejam também leis da Divina Providência, e que todo homem possa ser reformado e regenerado, e nenhum seja predestinado, ver-se-á na seqüência.