. De onde vem e o que é a prudência própria. Ela vem do proprium do homem, que é de sua natureza e se chama alma derivada do pai. Esse proprium é o amor de si e, deste, o amor do mundo, ou o amor do mundo e, deste, o amor de si. O amor de si é tal que visa somente a si mesmo e vê os outros como vis ou como nada. Se a alguns considera, é quando esses o honram e adoram. Nesse amor se acha intimamente, como um esforço de frutificar e proliferar na semente, o querer tornar-se grande e, se possível, tornar-se rei, e, se ainda possível, tornar-se deus. Assim é o diabo, porque ele é esse amor mesmo de si. É tal que adora a si mesmo e não é favorável senão àquele que também o adora. Tem ódio a um outro diabo semelhante a si, porque quer ser adorado só. Visto que não pode haver algum amor sem o seu consorte, e o consorte do amor ou da vontade no homem se chama entendimento, quando o amor de si inspira seu amor no entendimento, seu consorte, torna-se ali orgulho, que é o orgulho da própria inteligência e, assim, é prudência própria. [2] Ora, como o amor de si quer ser o único senhor do mundo, por conseguinte, também ser deus, por isso as concupiscências do mal, que são as suas derivações, têm em si a vida por esse amor. Do mesmo modo se dá com as percepções das concupiscências, que são as astúcias, e também com os prazeres das concupiscências, que são os males, e os pensamentos destes, que são os falsos. Todos são como servos e ministros de seu senhor, todos agindo ao bel-prazer dele, ignorando que não são eles que agem, mas são postos em ação, sendo postos em ação pelo orgulho da própria inteligência. Assim é que em todo mal, por sua origem, encerra-se a prudência própria. [3] Que também ali se encerre o reconhecimento da natureza somente é porque está fechada a janela de seu teto, pela qual se vê o céu, e também a janela do lado, para não ver nem ouvir que só o Senhor governa todas as coisas, que a natureza é morta em si e que o proprium do homem é o inferno e, assim, o amor do proprium é o diabo. E então, com as janelas fechadas, ele se acha nas trevas e ali faz para si um fogo junto ao qual se senta com seu consorte e amigavelmente raciocinam a favor da natureza e contra Deus, e a favor da prudência própria e contra a Divina Providência.