. (vii.) Todas essas coisas não podem ter lugar a menos que pareça ao homem que é por si mesmo que ele pensa e dispõe. No que precedeu, foi demonstrado que o homem não seria homem se não lhe parecesse que vive por si e, por conseguinte, que pensa e quer, fala e age por si. Daí se segue que o homem não pode ser conduzido e disposto pela Divina Providência a menos que disponha como por sua própria prudência todas as coisas que são das funções de sua vida. Seria, com efeito, como aquele que tem as mãos encolhidas, a boca aberta, os olhos fechados e a respiração suspensa, na expectativa do influxo. Desse modo privar-se-ia do humano que está nele pela percepção e sensação de que vive, pensa, quer, fala e age como por si mesmo. E privar-se-ia ao mesmo tempo de suas duas faculdades, que são a liberdade e a racionalidade, pelas quais se distingue das bestas. Que sem essa aparência não haveria receptivo nem recíproco algum no homem e, por conseqüência, nenhuma imortalidade, foi demonstrado acima, neste tratado, e no tratado Divino Amor e Divina Sabedoria.
[2] Por isso, se queres ser conduzido pela Divina Providência, faz uso da prudência como um servo e ministro que administra fielmente os bens de seu senhor. A prudência é uma mina que se dá aos servos para que negociem e dela dêem conta (Lc. 19:13-28; Mt. 25:14-31). A prudência mesma parece ao homem como se sua própria, e enquanto ele crê que é própria, mantém encerrado o implacabilíssimo inimigo de Deus e da Divina Providência, que é o amor de si. Ele habita nos interiores de cada homem por nascimento. Se não o conheces (pois não quer ser conhecido), ele habita seguramente e guarda a porta, a fim de não ser aberta pelo homem e, assim, que seja expulso pelo Senhor. Essa porta é aberta pelo homem por ele fugir como por si mesmo dos males como pecados, com o reconhecimento de que faz isso pelo Senhor. É com essa prudência que a Divina Providência age em comum.
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