. Sabe-se no mundo cristão que o Senhor quer a salvação de todos, e também se sabe que Ele é Onipotente. Por isso muitos daí concluem que Ele pode salvar a cada um e que salva aqueles que imploram a Sua misericórdia, principalmente aqueles que a imploram por meio da fórmula da fé aceita de que Deus Pai teve misericórdia por causa do Filho, especialmente se ao mesmo tempo imploram para receber essa fé. Mas que seja inteiramente diferente, ver-se-á no último capítulo deste tratado, onde se explicará que o Senhor não pode agir contra as leis de Sua Divina Providência, porque agir contra elas seria agir contra o Seu Divino Amor e contra a Sua Divina Sabedoria, assim, contra Si mesmo. Ali se verá que tal misericórdia imediata não existe, porque a salvação do homem se faz por meios, segundo os quais nenhum outro pode conduzir o homem senão Aquele que quer a salvação de todos e é ao mesmo tempo Onipotente, portanto, o Senhor. Os meios pelos quais o homem é conduzido pelo Senhor são os que se chamam leis da Divina Providência, entre as quais há também esta, que o homem não é introduzido interiormente nos veros da sabedoria e nos bens do amor senão tanto quanto pode neles ser mantido até o fim da vida. Mas, para que se veja isso diante da razão, explicar-se-á nesta ordem: (i.) O homem pode ser introduzido na sabedoria das coisas espirituais e também no amor por elas e, todavia, não ser reformado. (ii.) Se o homem em seguida se afasta deles e vai em sentido contrário profana as coisas santas. (iii.) Há muitos gêneros de profanação, mas esse gênero é o pior de todos. (iv.) Por isso, o Senhor não introduz o homem interiormente nos veros da sabedoria e, ao mesmo tempo, nos bens do amor senão tanto quanto o homem pode neles ser mantido até o fim da vida.