. (i.) O homem pode ser introduzido na sabedoria das coisas espirituais e também no amor por elas e, todavia, não ser reformado. A razão disso é que o homem tem racionalidade e liberdade. Pela racionalidade pode ser elevado a uma sabedoria quase angélica e, pela liberdade, a um amor não diferente de um amor angélico. Mas, qual é o amor, tal é a sabedoria. Se o amor for celeste e espiritual, a sabedoria também será celeste e espiritual; se porém o amor for diabólico e infernal, a sabedoria também será diabólica e infernal. Estas podem até mesmo parecer celestes e espirituais na forma externa e, assim, perante os outros, mas na forma interna, que é a sua essência mesma, são diabólicas e infernais, não fora dele, mas dentro dele. Que isto seja assim, não parece aos homens, porque os homens são naturais e vêem e ouvem naturalmente, e a forma externa é natural. Mas aos anjos se mostra que é assim, porque os anjos são espirituais e vêem e ouvem espiritualmente, e a forma interna é espiritual. [2] Disso é evidente que o homem pode ser introduzido na sabedoria das coisas espirituais e também no amor por elas, e, todavia, não ser reformado, mas então estará somente no amor natural por elas, mas não no amor espiritual. A razão disso é que o homem pode se introduzir a si mesmo no amor natural, mas somente o Senhor o introduz no amor espiritual, e aqueles que são introduzidos nesse amor são reformados, enquanto aqueles que são introduzidos no outro amor não são reformados. De fato, esses são na maioria hipócritas e muitos são da ordem dos jesuítas, que interiormente não crêem em Divino algum, mas exteriormente jogam com as coisas Divinas como histriões.