. Quem não reconhece absolutamente a Divina Providência não reconhece Deus em seu coração, mas em lugar de Deus reconhece a natureza, e em lugar da Divina Providência a prudência humana. Não parece que isto é assim, porque o homem pode pensar de certa maneira e pensar de uma maneira diferente, e também pode falar de certa maneira e falar de uma maneira diferente. Pode pensar e falar pelo interior em si e, de uma maneira diferente, pelo exterior em si. É como uma dobradiça que pode pôr em movimento a porta em um e outro sentidos, diferentemente de quando se entra e de quando se sai, e como a vela que pode pôr em movimento o barco, conforme o capitão a expande. Aqueles que se confirmaram em favor da prudência humana a ponto de terem negado a Divina Providência, esses, seja o que for que vêem, ouvem ou lêem, quando aplicam aí o seu pensamento, não notam e mesmo não podem notar outra coisa, porque nada recebem do céu, mas somente de si. E como concluem somente pelas aparências e falácias, sem nada verem, podem jurar que a coisa é assim. E se também reconhecem a natureza somente, podem se irritar contra os defensores da Divina Providência, contanto que não sejam sacerdotes, dos quais pensam que isso fazem por sua doutrina ou função.