. Serão agora enumeradas algumas coisas que são da permissão e, todavia, segundo as leis da Divina Providência, pelas quais o homem meramente natural se confirma em favor da natureza e contra Deus, e em favor da prudência humana e contra a Divina Providência. Por exemplo, quando lê na Palavra:
(i.) Que o mais sábio dos homens, Adão, e a sua esposa se deixaram seduzir pela serpente, e que Deus não evitou isso por Sua Divina Providência.
(ii.) Que o primeiro filho deles, Caim, matou seu irmão, Abel, e que Deus não o dissuadiu, falando com ele, mas somente depois do fato o amaldiçoou.
(iii.) Que a nação israelita no deserto adorou um bezerro de ouro e o reconheceu como o deus que os tirara da terra do Egito, enquanto JEHOVAH viu isso de perto, do Monte Sinai, e não o impediu.
(iv.) Depois, que David enumerou o povo e, por causa disso, foi enviada uma peste de que tantos milhares de homens pereceram, e Deus, não antes, mas depois do fato, enviou a ele o profeta Gade e este anunciou a pena.
(v.) Que tenha sido permitido a Salomão instaurar um culto idolátrico.
(vi.) [Que tenha sido permitido] a muitos reis depois dele profanarem o templo e as coisas santas da igreja.
(vi.) E, finalmente, que àquela mesma nação fosse permitido crucificar o Senhor.
Nestas e em muitas outras coisas na Palavra, aquele que reconhece a natureza e a prudência humana não vê senão o que é contrário à Divina Providência, pelo que elas lhes são úteis como argumentos para negá-la, se não em seu pensamento exterior, que está próximo à linguagem, pelo menos no interior, que é afastado da linguagem.
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