DIVPROV &255

Sabedoria Angélica sobre a DIVINA PROVIDÊNCIA
Emanuel Swedenborg
Doutrina da Nova Jerusalém sobre a Divina Providência

. (ii.) O homem meramente natural se confirma contra a Divina Providência quando vê que a religião maometana foi aceita por tantos impérios e reinos. Que essa religião tenha sido aceita por mais reinos que a religião cristã pode ser motivo de escândalo para aqueles que pensam na Divina Providência e ao mesmo tempo crêem que ninguém pode ser salvo senão o que nasceu cristão, assim, onde existe a Palavra pela qual o Senhor é conhecido. Mas a religião maometana não é motivo de escândalo para os que crêem que todas as coisas são da Divina Providência. Esses examinam onde está nisso a Providência e também concluem que está no fato de a religião maometana reconhecer o Senhor como Filho de Deus, o homem sapientíssimo e o Maior Profeta, que veio ao mundo para ensinar aos homens. A maior parte deles consideram-No maior do que Maomé.
[2] Para que saiba plenamente que essa religião foi suscitada pela Divina Providência do Senhor para destruir a idolatria de muitas nações, dir-se-á, pois, em certa ordem, em primeiro lugar a origem das idolatrias. Antes daquela religião o culto aos ídolos era comum em todas as terras do mundo. A razão disso foi que as igrejas de antes do advento do Senhor eram todas igrejas representativas. Assim era também a Igreja Israelita. Ali, as tendas, as vestes de Arão, os sacrifícios, todas as coisas do templo hierosopolitano e também os estatutos, eram representações. E com os antigos existiu a ciência das correspondências, que também é das representações, a ciência mesma dos sábios, cultivada principalmente no Egito, donde vieram seus hieroglifos. Por essa ciência eles sabiam o que significavam todos os gêneros de animais, bem como todos os gêneros de árvores, montanhas, colinas, rios, fontes, e também o sol, a lua e as estrelas. E como todo o seu culto era representativo, consistindo de meras correspondências, por isso faziam o culto sobre montanhas e colinas e também em bosques e jardins, e santificavam as fontes e voltavam suas faces para o sol, no oriente, em adoração a Deus. Além disso, faziam esculturas de cavalos, bois, bezerros, cordeiros, como também de aves, peixes e serpentes, e os punham em suas casas e em outros lugares, em ordem de acordo com os espirituais da igreja, aos quais correspondiam ou representavam. Punham coisas semelhantes também em seus templos, para recordar à lembrança as coisas santas que elas significavam.
[3] Após esse tempo, quando a ciência das correspondências foi esquecida, a descendência deles começou a adorar as esculturas mesmas como santas em si, ignorando que seus pais antigos não viam coisa alguma de santidade nelas, mas somente que representavam e, assim, significavam coisas santas. Assim nasceram as idolatrias que encheram todas as terras do mundo, tanto o mundo asiático com as ilhas à sua volta quanto o mundo africano e europeu. A fim de que essas idolatrias fossem extirpadas, aconteceu pela Divina Providência do Senhor que foi instaurada uma nova religião acomodada ao gênio dos orientais, na qual existisse alguma coisa de ambos os Testamentos da Palavra e que ensinasse que o Senhor veio ao mundo e que Ele era o Maior Profeta, o mais sábio de todos e o Filho de Deus. Isto foi feito por Maomé, do qual veio essa religião chamada maometana.
[4] Essa religião foi suscitada pela Divina Providência do Senhor e acomodada, como se disse, ao gênio dos orientais, a fim de destruir as idolatrias de tantos povos e dar-lhes algum conhecimento do Senhor antes que viessem ao mundo espiritual. Essa religião não teria sido aceita por tantos reinos e não teria podido extirpar as idolatrias a não ser que fosse feita conveniente e adequada às suas idéias dos pensamentos e à sua vida. Que ela não tenha reconhecido o Senhor como o Deus do céu e da terra, era porque os orientais reconheceram Deus como Criador do universo e não poderiam compreender que Ele tivesse vindo ao mundo e tomado o Humano, assim como não compreendem os cristãos que, em razão disso, em seu pensamento separam o Seu Divino do Seu Humano, e põem o Divino junto ao Pai no céu e não sabem onde pôr o Seu Humano.
[5] Por aí se pode ver que também a religião maometana surgiu pela Divina Providência do Senhor, e que todos os dessa religião que reconhecem o Senhor como Filho de Deus e, ao mesmo tempo, vivem segundo os preceitos do Decálogo que também existem para eles, fugindo dos males como pecados, vêm ao céu que se chama Céu Maometano. Esse céu também foi dividido em três céus, supremo, médio e ínfimo. No supremo céu estão aqueles que reconhecem o Senhor um com o Pai e, assim, reconhecem-No como único Deus. No segundo céu estão os que abdicam de muitas esposas e vivem com uma só. E, no último céu, os que são iniciados. Vêem-se muitas coisas a respeito dessa religião na Continuação do Juízo Final e sobre o Mundo Espiritual (n° 68-72), onde se tratou dos maometanos e de Maomé.

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