. Todos os anjos do céu confessam que ninguém pode pensar por si mesmo, mas pelo Senhor; por outro lado, todos os espíritos do inferno dizem que ninguém pode pensar por outrem, mas por si mesmo. Mostrou-se-lhes algumas vezes que nenhum deles pensa nem pode pensar por si, e que o pensamento influi, mas foi em vão; não quiseram admiti-lo. A experiência ensina, porém, que todo pensamento e toda afeição, mesmo nos espíritos do inferno, influem do céu, mas o bem que influi é ali mudado em mal, e o vero em falso; assim, tudo é mudado em seu oposto. Isso foi mostrado da seguinte maneira: um vero extraído da Palavra foi enviado do céu e recebido por aqueles que estavam no inferno mais alto, dali enviado àqueles que estavam num inferno inferior até os ínfimos e esse vero, no caminho, era gradativamente mudado em falso e, finalmente, em um falso inteiramente oposto ao vero. Aqueles em que o vero era mudado pensavam o falso como por si e não sabiam outra coisa, quando, todavia, era o vero que fluía do céu, assim falsificado e pervertido no caminho para o inferno ínfimo. Ouvi três ou quatro vezes que isso se fez. O mesmo acontece com o bem: este flui do céu e é progressivamente mudado em um mal oposto a esse bem. Daí tornou-se evidente que o vero e o bem procedendo do Senhor, ao serem recebidos por aqueles que estão no falso e no mal, são modificados e passam para outra forma, a ponto de sua forma inicial não aparecer mais. Dá-se de modo semelhante com todo homem mau, pois esse, quanto ao seu espírito, está no inferno.