. (iii.) Os maus não podem ser tirados inteiramente do mal pelo Senhor e conduzidos ao bem enquanto acreditarem que a própria inteligência é tudo e que a Divina Providência nada é. Parece que o homem pode por si mesmo se retirar do mal, contanto que pense que isso ou aquilo é contra o bem comum, contra o que é útil e contra o direito da nação e dos povos. Isso, tanto o mau quanto o bom pode fazer, contanto que desde o nascimento ou por exercício seja tal que possa em si mesmo pensar analítica e racionalmente; não obstante, não pode por si mesmo se retirar do mal. A razão é que a faculdade de entender e de perceber determinada coisa, mesmo abstratamente, foi concedida pelo Senhor a cada um, tanto o mau quanto o bom, como se mostrou acima, em vários lugares. Todavia, o homem não pode, por essa faculdade, se desviar do mal, porque o mal pertence à vontade, e o entendimento não influi na vontade senão como uma luz que a ilumina e ensina. E se o calor da vontade, isto é, o amor da vida do homem, ferve por causa da concupiscência do mal, há frieza quanto à afeição do bem, pelo que não o recebe, mas ou o rejeita ou o extingue ou o transforma em mal por algum falso elaborado. Acontece aí o mesmo que com a luz do inverno, que é tão clara como a do verão e que, influindo nas árvores frias, efetua coisa semelhante. Mas isso poderá ser visto mais plenamente nesta ordem: Primeiro: Quando a vontade está no mal a inteligência própria não vê senão o que é falso, e não quer nem pode ver outra coisa. Segundo: Se a inteligência própria então vê o vero, afasta-se dele ou o falsifica. Terceiro: A Divina Providência faz continuamente com que o homem veja o vero, e também lhe dá a afeição de percebê-lo e também de o receber. Quarto: Desse modo o homem é retirado do mal, não por si mesmo, mas pelo Senhor.
Versão Impressa
Para estudo mais confortável, adquira esta obra em formato impresso.