. Ouvi muitos recém-chegados do mundo se queixarem de que não tinham sabido que a sorte de suas vidas seria de acordo com as afeições de seu amor. Diziam que, no mundo, não tinham pensado sobre as afeições e ainda menos sobre seus prazeres, porquanto tinham amado aquilo que era para eles um prazer, e que tinham crido somente que a sorte de cada um era segundo os pensamentos provenientes da inteligência, principalmente segundo os pensamentos provenientes da piedade e da fé. Mas foi-lhes respondido que teriam podido saber, se tivessem desejado, que o mal da vida é desagradável para o céu e desprazer para Deus, e agradável para o inferno e prazer para o diabo, e, vice-versa, o bem da vida é agradável para o céu e prazer para Deus, e desagradável para o inferno e desprazer para o diabo. E, por conseguinte, que o mal em si fede, enquanto o bem em si tem cheiro agradável. E como teriam podido saber isso, se o tivessem desejado, por que não tinham fugido dos males como infernais e diabólicos, e por que os tinham favorecido pelo motivo único de terem sido um prazer para eles? E visto que agora sabiam que os prazeres do mal têm um odor tão abominável, também podiam saber que os que assim fedem não podem vir ao céu. Depois dessa resposta, foram se ajuntar aos que tinham prazeres semelhantes aos deles, porque ali e não em outro lugar podiam respirar.