DIVPROV &313

Sabedoria Angélica sobre a DIVINA PROVIDÊNCIA
Emanuel Swedenborg
Doutrina da Nova Jerusalém sobre a Divina Providência

. A qualidade dos que estão na própria prudência e a dos que estão na prudência não própria e, assim, na Divina Providência, é descrita na Palavra por Adão e Eva, sua esposa, no jardim do Éden, onde havia duas árvores, uma da vida e outra da ciência do bem e do mal, e por eles terem comido dessa árvore. Que por Adão e Eva, sua esposa, se entenda e se descreva, no sentido interno ou espiritual, a Igreja Antiqüíssima do Senhor nesta Terra, mais nobre e celeste do que as que se seguiram, vê-se acima (n° 241).
[2] Pelas outras coisas é significado o seguinte: pelo 'jardim do Éden' é significada a sabedoria dos homens daquela igreja; pela 'árvore da vida', o Senhor quanto à Divina Providência; pela 'árvore da ciência', o homem quanto à própria prudência; pela 'serpente', o sensual e o proprium do homem, que, em si, é o amor de si e o orgulho da própria inteligência, assim, diabo e satanás; por 'comer da árvore da ciência', a apropriação do bem e do vero, como se estes não fossem provenientes do Senhor e, assim, pertencentes ao Senhor, mas provenientes do homem e pertencentes ao homem. E visto que o bem e o vero são o Divino mesmo no homem - pois pelo bem se entende tudo que é do amor, e pelo vero tudo que é da sabedoria - por isso, se o homem os reivindica como seus, não pode deixar de crer que é como Deus. Por esse motivo é que a serpente disse:
"Que no dia em comerdes dela, vossos olhos serão abertos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal" (Gn. 3:5).
Assim também fazem no inferno os que estão no amor de si e, daí, no orgulho da própria inteligência.
[3] Pela condenação da 'serpente' é significada a condenação do próprio amor e da própria inteligência; pela condenação de 'Eva', a condenação do proprium voluntário, e pela condenação de 'Adão", a condenação do proprium intelectual; pelo 'espinho' e pelo 'cardo' que a terra lhes faria germinar é significado meramente o falso e o mal; pela 'expulsão do jardim' é significada a privação da sabedoria; pela 'guarda do caminho para a árvore da vida", a proteção do Senhor, para que as coisas santas da Palavra e da igreja não fossem violadas; pelas 'folhas de figueira' com as quais cobriram a nudez são significados os veros morais, pelos quais são cobertas as coisas do seu amor e orgulho; e pela 'túnica de pele' com que foram vestidos depois, as aparências de vero, nas quais, somente, estão. Este é o entendimento espiritual dessas coisas. Mas permaneça quem quiser no sentido da letra, contanto que saiba que assim é que se entende no céu.

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