. Quais são os que se envaideceram por causa da própria inteligência, pode-se ver por suas imaginações nas coisas do julgamento interior. Por exemplo, sobre o influxo, o pensamento e a vida. Sobre o influxo, pensam de modo contrário, a saber, que a vista do olho influi na visão interna da mente, que é a do entendimento, e que a audição do ouvido influi no ouvido interno, que também é do entendimento, e não percebem que o entendimento, pela vontade, influi no olho e no ouvido, e não somente faz esses sentidos, mas também os utiliza como instrumentos no mundo natural. Mas, como isso não é segundo a aparência, não o percebem, mas somente se se disser que o natural não influi no espiritual, mas o espiritual no natural. Mas, ainda assim, pensam: "O que é o espiritual senão um natural mais puro?" E também: "Será que não parece que, se o olho vê algo belo, e o ouvido ouve algo harmonioso, a mente, que é o entendimento e a vontade, é deleitada?" Não sabem que o olho não vê por si, nem a língua saboreia por si, nem as narinas cheiram por si, nem a pele sente por si, mas que é a mente ou o espírito do homem que ali os percebe pelos sentidos. Tampouco a mente ou o espírito do homem os sente por si, mas pelo Senhor. Pensar de outro modo é fazê-lo pelas aparências; e, se forem confirmadas, pelas falácias. [2] Sobre o pensamento, eles dizem que é algo modificado no ar, variado segundo os objetos e ampliado segundo é cultivado. Assim, que as idéias do pensamento são imagens, como meteoros, que aparecem no ar, e a memória como uma tábua em que são impressos. Não sabem que os pensamentos estão igualmente nas substâncias puramente orgânicas, assim como a visão e a audição estão nas suas. Considera somente o cérebro, e o verás cheio de tais substâncias. Fere-as, e terás delírios. Destrói-as, e morrerás. Mas, o que é o pensamento e o que é a memória, vê-se acima (n° 279, no fim). [3] Da vida, não sabem outra coisa senão que é uma certa atividade da natureza que se faz sentir de diversos modos, assim como o corpo que vive se move organicamente. Se se diz que, assim, a natureza vive, negam-no, mas dizem que a natureza faz viver. Se se diz: "Então, não é assim a vida dissipada, quando o corpo morre?", respondem que a vida permanece na partícula de ar que se chama alma. Se se diz: "O que é, então, Deus? Não é Ele a Vida mesma?" Diante dessas perguntas eles se calam, e não querem declarar o que pensam. Se se diz: "Não quereis que o Divino Amor e a Divina Sabedoria sejam a Vida mesma?" Respondem: "O que é o amor, e o que é a sabedoria?" Pois em suas falácias não vêem o que são estes nem o que é Deus. Estas coisas foram trazidas aqui para que se veja como o homem se envaidece pela prudência própria, pelo fato de concluir todas as coisas pelas aparências e, assim, pelas falácias.