. (i.) A operação da Divina Providência para salvar o homem começa em seu nascimento, continua até o fim de sua vida e, depois, na eternidade. Mostrou-se acima que um céu proveniente do gênero humano é o propósito mesmo da criação do universo; que esse propósito, em sua operação e progressão, é a Divina Providência para salvar os homens; e que todas as coisas que estão fora do homem e lhe servem de uso são propósitos secundários da criação; elas se referem, em suma, a todas as coisas que são dos três reinos, animal, vegetal e mineral. Uma vez que as coisas que aí estão procedem constantemente segundo as leis da ordem Divina estabelecidas na primeira criação, como não pode então constantemente proceder o propósito primeiro, que é a salvação do gênero humano, segundo as suas leis da ordem, que são as leis da Divina Providência?
[2] Considera somente uma árvore frutífera. Porventura não nasce primeiro de uma pequena semente como um germe terno, em seguida cresce gradativamente como caule, estende os ramos e estes se cobrem de folhas, depois faz sair flores e engendra frutos, neles põe novas sementes, pelas quais provê sua perpetuidade? Acontece o mesmo com todo arbusto e toda erva do campo. Porventura todas e cada uma das coisas não procedem aí constante e admiravelmente segundo as leis de sua ordem, de um propósito a outro propósito? Por que não se daria de modo semelhante com o propósito primeiro, que é um céu proveniente do gênero humano? Pode existir em sua progressão alguma coisa que não proceda constantíssimamente segundo as leis da Divina Providência?
[3] Porquanto existe uma correspondência da vida do homem com a vegetação da árvore, faça-se um paralelismo ou comparação. A infância do homem é, por comparação, como um germe terno da árvore que brota da terra pela semente; a meninice e a adolescência do homem são como esse germe crescendo, como o caule e os pequenos ramos. Os veros naturais, de que todo homem primeiro se imbui, são como as folhas de que os ramos se cobrem - as 'folhas' não significam outra coisa na Palavra. As iniciações do homem no casamento do bem e do vero, ou o casamento espiritual, são como as flores que essa árvore produz no tempo da primavera; os veros espirituais são os folíolos dessas flores. As coisas primitivas do casamento espiritual são como os começos dos frutos; os bens espirituais, que são os bens da caridade, são como os frutos e também são significados pelos 'frutos' na Palavra. As procriações da sabedoria proveniente do amor são como as sementes; por essas procriações o homem se torna um jardim e um paraíso. O homem é também representado na Palavra por uma árvore, e sua sabedoria proveniente do amor por um jardim. Nenhuma outra coisa é significada pelo jardim do Éden.
[4] Realmente, o homem é uma árvore má pela semente, mas é-lhe dado um enxerto ou uma inoculação de pequenos ramos tomados da Árvore da vida, pelos quais a seiva extraída da raiz antiga é mudada em seiva para dar bons frutos. Fez-se esta comparação para que se saiba que, quando existe uma tão constante progressão da Divina Providência na vegetação e na regeneração das árvores, muito mais constante haverá na reforma e na regeneração dos homens, que têm muito mais valor que as árvores, segundo essas palavras do Senhor:
"Não se vendem cinco pardais por dois ceitis? Todavia nenhum deles é esquecido diante de Deus. Mas até mesmo os cabelos de vossa cabeça estão todos numerados. Por isso, não temei, mais valeis que muitos pardais... Quem dentre vós, por causa da solicitude, pode acrescentar um côvado à sua estatura? Se, pois, não podeis sequer a menor das coisas, por que estais solícitos quanto às outras? Contemplai os lírios, como eles crescem... Se Deus veste assim a erva que hoje está no campo, mas amanhã é lançada no forno, quanto mais a vós, ó homens de pequena fé" (Lc. 12:6,7,25-28).
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