. Os conhecimentos do vero e do bem que precedem a fé parecem para alguns que são da fé, todavia não o são. O fato de acharem e dizerem que crêem nem por isso faz com que creiam. Tampouco pertencem à fé, pois são apenas do pensamento de que são assim, mas não do reconhecimento interno de que são verdades. E a fé de que são verdades, quando não se sabe se são, é uma espécie de persuasão removida do reconhecimento interno. Mas, tão logo a caridade é implantada, então esses conhecimentos se tornam da fé, porém não além da medida em que a caridade está presente. No primeiro estado, antes de a caridade ser percebida, parece-lhes que a fé está em primeiro lugar e a caridade em segundo. Mas, no segundo estado, quando a caridade é percebida, a fé passa para o segundo lugar e a caridade para o primeiro. O primeiro estado se chama reforma e o segundo estado se chama regeneração. Quando o homem está no segundo estado, então a sabedoria aumenta nele dia a dia, e dia a dia o bem multiplica os veros e os frutifica. O homem é, então, como a árvore, que dá fruto e no fruto põe a semente, dos quais nascem novas árvores e, finalmente, o horto. Torna-se, então, verdadeiramente homem e, depois da morte, anjo, cuja caridade faz a vida e cuja fé faz a forma, bela segundo a sua qualidade. Mas, então, a fé não se chama mais fé, mas inteligência. Por aí se pode ver que tudo o que é da fé provém da caridade e nada de si mesmo. Vê-se, também, que então a caridade produz a fé e não a fé a caridade. Os conhecimentos do vero que precedem são absolutamente como uma despensa no armazém, que não nutre o homem a não ser que tenha apetite e dali tome o grão.
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