. Mas, para que se veja mais claramente a qualidade dessa fé, quero acrescentar em ordem aqui as várias coisas que essa fé afirma.
(i.) Afirma Deus Pai e Deus Filho como dois, um e outro de eternidade.
(ii.) Afirma que Deus Filho veio ao mundo pela vontade do Pai para fazer reparação pelo gênero humano que, de outro modo, pereceria de morte eterna pela justiça Divina, que também se chama vindicativa.
(iii.) Afirma a reparação pelo Filho por meio do cumprimento da Lei e da paixão da cruz.
(iv.) Afirma a misericórdia do Pai por causa dessa reparação do Filho.
(v.) Afirma a imputação do mérito do Filho para com aqueles que nisso crêem.
(vi) Afirma que isso é instantâneo e, por isso, se não antes, mesmo na última hora da morte.
(vii.) Afirma alguma coisa de tentação e, assim, de liberação por essa fé.
(viii.) Afirma nessas, principalmente, a certeza e a confiança.
(ix.) Afirma nessas, principalmente, a justificação e a plenária graça do Pai por causa do Filho, a remissão de todos os pecadores e, assim, a salvação.
(x.) Os mais cultos afirmam nisso um esforço para o bem que opera ocultamente e move a vontade não manifestamente. Outros afirmam uma operação manifesta, uns e outros pelo Espírito Santo.
(xi.) A maioria dos que se confirmam nisso - que ninguém pode fazer por si o bem que é bem a não ser que seja meritório, e que não estão sob o jugo da lei - omitem o bem e não pensam sobre o mal e o bem da vida. Com efeito, esses dizem em si mesmos que o bem não salva nem o mal condena, porque a fé sozinha faz todas as coisas.
(xii). Em geral, afirma estar o entendimento sob a obediência dessa fé, chamando de fé o que não é compreendido.
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