. Os anjos, por sua sabedoria, progridem sempre mais. Dizem que não somente todo bem e todo vero são provenientes do Senhor, mas também tudo o que é da vida. Confirmam isso pelo fato de que nada pode existir por si, mas por um anterior a si; assim, todas as coisas existem por um Primeiro a que chamam o Ser da vida de todos e por aí subsistem, visto que o subsistir é o perpétuo existir; e o que não for continuamente mantido em conexão com o Primeiro, por intermediários, logo desvanece e é inteiramente dissipado. Afirmam, além disso, que há uma única Fonte de vida e a vida do homem é como um rio proveniente daí, o qual, se não subsiste continuamente de sua fonte, logo se esvai. [2] Além disso, dessa única Fonte de vida, que é o Senhor, nada procede senão o Divino bem e o Divino vero; esses tocam cada um segundo a recepção. Os que recebem essa vida e fé, neles há o céu; mas os que as rejeitam ou sufocam, convertem-nas em inferno, porque tornam o bem em mal e o vero em falso, assim, a vida em morte. Que toda vida seja proveniente do Senhor, confirmam-no também por isso, que todas as coisas no universo se referem ao bem e ao vero: a vida da vontade do homem, que é a vida do seu amor, ao bem; e a vida do entendimento do homem, que é vida de sua fé, ao vero. Por isso, como todo bem e vero vem de cima, segue-se que também toda vida. Como os anjos crêem assim, por isso recusam toda ação de graças por causa de algum bem que fazem; ficam indignados e se retiram se algum bem lhes for atribuído. Admiram-se de que alguém creia que sabe por si e faz o bem por si. Fazer o bem por causa de si, a isso não chamam bem, pois que é feito por si; mas fazer o bem por causa do bem, a isso chamam bem do Divino e esse bem é que faz o céu, pois esse bem é o Senhor *17.
*17 Que o bem proveniente do Senhor tenha em si o Senhor, mas não o bem proveniente do próprio (ns. 1802, 3951, 8480).