. Que o Divino do Senhor, no céu, seja o amor, é porque o amor é o receptáculo de tudo no céu, a saber, da paz, da inteligência, da sabedoria e da felicidade. Pois o amor recebe todas e cada uma das coisas que lhe convêm, deseja-as, busca-as e se imbui delas como se espontaneamente, pois quer continuamente se enriquecer e aperfeiçoar por elas *25. Isso é conhecido também pelo homem, pois o amor nele considera, por assim dizer, o se acha em sua memória e delas extrai todas as coisas que concordam e as colige, dispõe em si e sob si; em si para que sejam suas e sob si para que sirvam às demais. As que não concordam, porém, rejeita e extermina. Que no amor esteja toda faculdade de receber os veros convenientes a si e o desejo de conjuntá-los a si, tornou-se-me também claro pelos que são conduzidos ao céu; esses, ainda que tenham sido simples no mundo, alcançaram a sabedoria angélica e a felicidade do céu quando estiveram entre os anjos. A razão disso foi terem amado o bem e o vero por causa do bem e do vero e os terem implantado na sua vida; por essa faculdade, tornaram-se aptos a receber o céu com todas as coisas inexplicáveis ali. Os que, porém, estão no amor de si e do mundo, esses não têm faculdade alguma de recebê-las, mas se afastam delas, rejeitam-nas e fogem ao primeiro contato de seu influxo, associando-se àqueles no inferno que estão em amores semelhantes aos seus. Havia espíritos que duvidavam de que houvesse tais coisas no amor celeste e desejaram saber se isso era assim; foram, por isso, postos no estado dos amores celestes – sendo removidos, durante esse tempo, os obstáculos – e, levados para frente, à distância do céu angélico, dali falaram comigo. Disseram que percebiam uma felicidade interior que era impossível de exprimir por palavras, muito pesarosos que tivessem de voltar ao estado anterior. Outros foram também elevados ao céu e, quanto mais interiormente ou mais alto foram transportados, mais entraram na inteligência e na sabedoria, para que pudessem perceber o que antes lhes era incompreensível. Assim é evidente que o amor procedente do Senhor é o receptáculo do céu e de tudo ali. *25 Que no amor haja coisas inumeráveis e que o amor receba em si todas as coisas que concordam (ns. 2500, 2572, 3078, 3189, 6323, 7490, 7750).