. Quem não sabe como se dá com a ordem Divina quanto aos graus não pode compreender de que maneira os céus são distintos, nem o que é o homem interno e externo. A maioria das pessoas no mundo não tem outra noção sobre os interiores e exteriores, ou sobre os superiores e inferiores, a não ser a de algo contínuo ou coerente por continuidade desde o mais puro até o mais grosseiro. Contudo, os interiores e exteriores não se relacionam continuamente, mas discretamente. Há dois gêneros de graus; há os graus contínuos e há os graus não contínuos. Os graus contínuos são como os graus de diminuição da luz, desde a chama até à sua obscuridade; ou como os graus de diminuição da visão das coisas que estão na luz até às coisas que estão na sombra; ou como os graus de pureza da atmosfera desde a sua parte mais baixa até à sua parte mais alta. As distâncias é que determinam esses graus. Porém os graus não contínuos, mas discretos, são discriminados como o anterior e o posterior, como a causa e o efeito e como o que produz e o produto. Quem examinar verá que em todas e cada uma das coisas, em todo o mundo, quaisquer que sejam, há tais graus de produção e composição, a saber, que vão de um a outro e daí a um terceiro e assim por diante. Quem não adquire para si a percepção desses graus não pode de modo algum conhecer a diferença dos céus e a diferença das faculdades interiores e exteriores do homem, tampouco diferencia o mundo espiritual do mundo natural, nem diferencia o espírito do homem do seu corpo e, assim, não pode entender o que são nem de onde vêm as correspondências e as representações, tampouco a natureza do influxo. Os homens sensuais não compreendem essas diferenças, pois percebem os aumentos e as diminuições também segundo esses graus contínuos; assim, não podem conceber o espiritual como outra coisa senão como um natural mais puro. Por isso se põem de fora e muito distantes da inteligência *43. *43 Que os interiores e exteriores não sejam contínuos, mas segundo os graus distintos e discretos e em toda parte terminados em graus (ns. 3691, 5145, 5114, 8603, 10099). Que um seja formado pelo outro e as coisas que são assim formadas não sejam contin uamente das mais puras para as mais grosseiras (ns. 6326, 6465). Quem não percebe a distinção dos interiores e os exteriores segundo esses graus não pode compreender o homem interno e externo, nem os céus interiores e exteriores (ns. 5146, 6465, 10099, 1 0181).