HH 85

O Céu e o Inferno
Emanuel Swedenborg
O Céu e as suas Maravilhas, e o Inferno, Segundo o que foi ouvido e visto

. Que, porém, Deus seja homem, isso dificilmente pode ser compreendido por aqueles que julgam todas as coisas pelos sensuais do homem externo, porque, pelos sensuais, o homem não pode pensar sobre o Divino senão pelo mundo e pelas coisas que aí estão; assim, sobre o Divino e sobre o homem espiritual, não tira outra conclusão senão como daquilo que é corpóreo e natural, a saber, que, se Deus fosse homem, seria em tamanho como o universo e, se regesse a terra, Ele o faria por intermédio de muitos, à maneira dos reis no mundo. Se lhe dissesse que no céu não há extensão de espaço como no mundo, não o compreenderia absolutamente. Com efeito, aquele que pensa pela natureza e por sua luz somente não pode pensar de outro modo senão pela extensão que está diante dos olhos. Mas estão muito enganados os que pensam assim sobre o céu. A extensão que há ali não é como a extensão no mundo. No mundo a extensão é determinada e, assim, mensurável, mas no céu a extensão não é determinada nem mensurável. Mas, sobre a extensão no céu, ver-se-á na seqüência, onde se tratar do espaço e do tempo no mundo espiritual. Além disso, qualquer um sabe o quanto a visão do olho se estende, a saber, ao sol e às estrelas, que estão a uma tão grande distância. Quem pensa mais alto também sabe que a visão interna, que é do pensamento, se estende mais amplamente e, assim, uma visão mais interior deve se estender ainda mais amplamente. O que não é, então, a visão Divina, que é a mais íntima e suprema de todas? Como tais pensamentos são extensões, assim, todas as coisas do céu são comunicadas a cada um ali, da mesma forma que todas as coisas do Divino que faz o céu e o enche, como foi mostrado nos capítulos que precederam.

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