. Que todas as coisas que estão no mundo existam pelo Divino e sejam revestidas por coisas na natureza, pelas quais possam estar ali, prestar um uso e, assim, corresponder, vê-se claramente por cada uma das coisas que se acham tanto no reino animal quando no vegetal. Em um e outro reinos há coisas tais que qualquer um, se pensar pelos interiores, pode ver que procedem do céu. Para ilustração, podem ser lembradas umas poucas dentre as inúmeras. Em primeiro lugar, algo do reino animal. Muitos sabem que há uma ciência como que inscrita em cada animal ali. As abelhas sabem colher o mel das flores, construir células de cera em que armazenam o seu mel e, assim, prover para si e para os seus o alimento necessário também para o inverno vindouro. A fêmea delas põe os ovos, as outras servem e os envolvem, para que daí nasça nova prole. Vivem numa espécie de governo que todas conhecem pelo instinto; conservam as úteis e rejeitam as inúteis, privando-as de suas asas, além de outras coisas admiráveis que lhes vêm do céu por causa do uso, pois a cera serve ao gênero humano para iluminação em todo o mundo e o mel para a preparação de alimento. E quanto aos vermes que, no reino animal, são os mais inferiores? Sabem se nutrir com o sumo de suas folhas e, após certo tempo, cercam-se de um envoltório, põem-se numa espécie de útero e, assim, fazem sair a prole de seu gênero. Alguns se transformam primeiro em ninfas e crisálidas, produzem fios e, terminado esse trabalho, estão adornados de um outro corpo; munem-se de asas e voam no ar como em seu céu, celebram casamentos, põem ovos e provêem posteridade para si. Além desses em particular, todos os voláteis do céu conhecem seus alimentos de que se nutrem, não só quais eles são, mas ainda onde estão. Sabem fazer seus ninhos, um gênero diferentemente do outro, põem ali os ovos, chocam-nos, tiram seus filhotes, alimentam-nos e os expulsam de casa quando podem viver por si próprios. Conhecem, também, seus inimigos, de quem fogem e seus amigos, com quem se consociam e isto desde a primeira infância. Sem falar das coisas admiráveis dos ovos mesmos, onde todas as coisas da formação e da nutrição estão prontas em sua ordem para os filhotes que nascerão, além de muitas outras coisas admiráveis. Quem pode jamais dizer, se pensa por alguma sabedoria da razão, que essas coisas vêm de outra parte senão do mundo espiritual, ao qual o natural serve para revesti-lo e que é como um corpo, ou a apresentação no efeito do que é o espiritual na causa? Que os animais da terra e os voláteis do céu nasçam em toda essa ciência, mas não o homem, quando, todavia, ele lhes é superior, é porque os animais estão na ordem de sua vida e não puderam destruir o que lhes vem do mundo espiritual, visto que não têm um racional. O homem, diferentemente, que pensa pelo mundo espiritual, perverteu nele essa faculdade por uma vida contra a ordem, o que foi favorecido pelo racional. Por isso, não pode deixar de nascer em mera ignorância e, depois, por meios Divinos, ser reposto na ordem do céu.