. Dir-se-á também, em poucas palavras, como a conjunção do céu com o mundo se faz pelas correspondências. O reino do Senhor é o reino dos propósitos [finium], que são os usos, ou, o que é o mesmo, o reino dos usos que são propósitos. Por isso o universo foi criado e formado pelo Divino de tal modo que em toda parte os usos possam se revestir de coisas pelas quais são apresentados no ato ou no efeito, primeiro no céu e, depois, no mundo; assim, por graus e sucessivamente, até à última natureza. Assim se vê que a correspondência dos naturais com os espirituais, ou do mundo com o céu, seja por meio dos usos e os usos conjuntam. E as formas, das quais os usos se revestem, são tantas correspondências e tantas conjunções quantas são as formas dos usos. Na natureza do mundo, em seus três reinos, todas as coisas que aí existem segundo a ordem são formas de usos ou de efeitos formados pelo usos e para o uso. Por esse motivo, as coisas que estão aí são correspondências. No caso do homem, porém, quanto mais ele vive segundo a ordem Divina, assim, quanto mais vive no amor ao Senhor e na caridade para com o próximo, mais seus atos são usos na forma e são correspondências, pelos quais é conjunto ao céu. Amar ao Senhor e ao próximo, em geral, é prestar usos *84. Além disso, deve-se saber que é pelo homem por quem o mundo natural é conjunto ao espiritual, ou, que ele é o meio de conjunção, pois nele está o mundo natural e também o mundo espiritual (veja-se acima, n. 57). Por isso, quanto mais o homem é espiritual, mais é um meio de conjunção; porém, quanto mais é natural e não espiritual, menos é um meio de conjunção. Persiste, todavia, sem a intermediação do homem, o influxo do Divino no mundo e também nas coisas do mundo que estão no homem, mas não no seu racional. *84 Que todo bem tenha seu prazer pelos usos e segundo os usos e também sua qualidade; assim, qual é o uso, tal é bem (n. 3049, 4984, 7038). Que a vida angélica consista em bens do amor e da caridade, assim, em prestar usos (n. 454). Que o Senhor e, assi m, os anjos, não visem no homem senão aos propósitos, que são os usos (n. 1317, 1645, 5854). Que o reino do Senhor seja o reino dos usos, assim, dos propósitos (n. 454, 696, 1103, 3645, 4054, 7038). Que servir ao Senhor seja prestar usos (n. 7038). Que t odas e cada uma das coisas no homem sejam formadas para um uso (n. 3626, 4104, 5189, 9297) e que venham do uso, assim, que sejam o uso anterior à forma orgânica no homem, pela qual se faz o uso, porque o uso vem do influxo do Senhor pelo céu (n. 4223, 49 26). Que também os interiores do homem, que são de sua mente, quando amadurece, sejam formados pelo uso e para o uso (n. 1964, 6815, 9297). Que, assim, o homem seja tal quais são os usos nele (n. 1568, 3570, 4054, 6571, 6934, 6938, 10284). Que sejam os p ropósitos pelos quais [se age] (n. 3565, 4054, 4104, 6815). Que o uso seja o primeiro e o último, assim, todo o homem (n. 1964).