. Que o Senhor apareça realmente no céu como Sol é o que não somente me foi dito pelos anjos, mas o que me foi concedido algumas vezes ver; por isso, quero descrever aqui, em poucas palavras, o que ouvi e vi a respeito do Senhor como o Sol. O Senhor aparece como um Sol não no céu, mas no alto, acima dos céus; não acima da cabeça, verticalmente, mas diante da face dos anjos, a uma altura média. Ele aparece em dois lugares: em um, diante do olho direito, em outro, diante do olho esquerdo, a uma distância marcante. Diante do olho direito, aparece inteiramente como o Sol, de fogo quase semelhante e de tamanho semelhante, como o sol do mundo; diante do olho esquerdo, porém, não aparece como Sol, mas como uma Lua, de brancura semelhante, contudo mais brilhante e de tamanho semelhante ao da lua de nossa Terra. Em volta dela, porém, aparecem como se fossem muitas luas pequenas, cada uma das quais com brancura e brilho semelhantes. Que o Senhor apareça em dois lugares com tal diferença é porque aparece a cada um segundo a qualidade da recepção d’Ele e, por isso, de uma maneira aos que O recebem pelo bem do amor e de outra aos que O recebem pelo bem da fé. Aos que O recebem pelo bem do amor Ele aparece como Sol, ígneo e flamejante segundo a recepção; esses estão no Seu reino celeste. E aos que O recebem pelo bem da fé Ele aparece como Lua, branca e brilhante segundo a recepção; esses estão no Seu reino espiritual *88. A razão disso é que o bem do amor corresponde ao fogo. Assim, o fogo, no sentido espiritual, é o amor. E o bem da fé corresponde à luz e essa, no sentido espiritual, é a fé *89. Que Ele apareça diante dos olhos é porque os interiores que são da mente vêem pelos olhos: do bem do amor, pelo olho direito e do bem da fé, pelo olho esquerdo *90, porquanto todas as coisas que estão na parte direita do anjo e também do homem correspondem ao bem do qual procede o vero; e as que estão na esquerda, ao vero que procede do bem *91. O bem da fé é, em sua essência, o vero que procede do bem. *88 Que o Senhor apareça no céu como um Sol e Que seja o Sol do céu (n. 1053, 3636, 3643, 4060). Que o Senhor apareça àqueles que estão no reino celeste, onde reina o amor a Ele, como Sol; e, àqueles que estão reino espiritual, onde reina a caridade para com o próximo e a fé, como Lua (n. 1521, 1529, 1530, 1531, 1837, 4696). Que o Senhor como Sol apareça à meia altura ante o olho direito e como Lua ante o olho esquerdo (n. 1053, 1521, 1529, 1530, 1531, 3636, 3643, 4321, 5097, 7078, 7083, 7173, 7270, 881 2, 10809). Que o Senhor seja visto como Sol e como Lua (n. 1531, 7173). Que Divino mesmo do Senhor esteja distante, acima do Seu Divino no céu (n. 7270, 8760). *89 Que o “fogo”, na Palavra, signifique o amor em um e outro sentidos (n. 934, 4906, 5215). Que o fogo sagrado ou celeste signifique o Divino amor (n. 934, 6314, 6832). Que o fogo infernal signifique o amor de si e do mundo e toda concupiscência que é d esses amores (n. 1861, 5071, 6314, 6832, 7575 10747). Que o amor seja o fogo da vida e que a vida mesma seja realmente dele (n. 4906, 5071, 6032, 6314). Que a luz signifique o vero da fé (n. 3195, 3485, 3636, 3643, 3993, 4302, 4413, 4415, 9548, 9684). *90 Que a visão do olho esquerdo corresponda ao vero da fé e a visão do olho direito ao bem daí (ns. 4410, 6923). *91 Que as coisas que estão do lado direito do homem se refiram ao bem do qual vem o vero e as coisas do lado esquerdo ao vero do qual vem o bem (ns. 9495, 9604).