. O calor do céu, assim como a luz do céu, em toda parte é variado: um no reino celeste, outro no reino espiritual e também outro em cada sociedade ali. Difere não só quanto ao grau, mas também quanto à qualidade; é mais intenso e mais puro no reino celeste do Senhor, porque os anjos ali recebem mais o Divino bem; menos intenso e menos puro no reino espiritual, porque os anjos ali recebem mais o Divino vero. Difere também em cada sociedade segundo a recepção. Há também um calor nos infernos, mas esse é imundo *102. É o calor do céu que se entende pelo fogo sagrado e celeste e é o calor do inferno que se entende pelo fogo profano e infernal. E por um e outro fogo se entende o amor: pelo fogo celeste o amor ao Senhor e o amor para com o próximo e toda afeição que pertence a esses amores e, pelo fogo infernal, o amor de si e o amor do mundo e toda concupiscência que pertence a esses amores. Que o amor seja um calor de origem espiritual, vê-se pelo aquecimento segundo o amor, pois o homem se inflama e se aquece segundo a grandeza, e sua qualidade e seu ardor se manifestam quando é atacado. Assim ocorre, também, que é comum dizer “inflamar”, “aquecer” “queimar”, “ferver”, “incendiar” quando se trata das afeições que são do amor do bem e também das concupiscências que são do amor do mal.
*102 Que nos infernos haja um calor, mas imundo (ns. 1773, 2757, 3340); e que o odor ali seja como, no mundo, o odor de esterco e coisas excrementícias e, nos infernos piores, de coisas cadaverosas (n. 814, 819, 820, 943, 944, 5394).