. Fui informado do céu por que há tais mudanças de estado ali. Os anjos disseram que há muitas causas. A primeira é que o prazer da vida e do céu – que existe para eles pelo amor e pela sabedoria que procedem do Senhor – se tornaria gradualmente insípido se nele ficassem continuamente, como sucede aos que estão nas delícias e nos prazeres sem variedade. A segunda causa é que eles têm um proprium tal como os homens e esse consiste em se amar; todos os que estão no céu são desviados desse proprium e, quanto mais são desviados dele pelo Senhor, mais estão no amor e na sabedoria; e quanto mais não são desviados, mais estão no amor de si. E, como cada um ama o seu proprium e é por ele atraído *122, por isso há para eles as mudanças de estado ou as sucessivas alternações. A terceira causa é que, assim, eles são aperfeiçoados, visto que assim se acostumam a serem mantidos no amor ao Senhor e desviados do amor de si. Além disso, pelas alternações de prazer e desprazer, a percepção e a sensação do bem se tornam mais refinadas *123. Acrescentaram que não é o Senhor que produz as mudanças de seu estado, porque o Senhor como Sol influi sempre com calor e luz, isto é, com o amor e a sabedoria, mas eles mesmos são a causa, pois que amam o seu proprium, que os atrai constantemente. Isso foi ilustrado por uma comparação com o sol do mundo, pois não está no sol, porquanto permanece imóvel, mas na terra, a causa das mudanças de estado de calor e frio, bem como de luz e sombra, cada ano e cada dia.
*122 Que o proprium do homem seja amar a si (n. 694, 731, 4317, 5660). Que o proprium deva ser separado, para que o Senhor esteja presente (n. 1023, 1044). Que também seja realmente separado naquele que é mantido no bem pelo Senhor (n. 9334-9535, 9447, 9 452-9454, 9938).
*123 Que os anjos sejam eternamente aperfeiçoados (n. 4803 6648). Que, nos céus, um estado não seja inteiramente semelhante ao outro e que, assim, haja perpétua perfeição (n. 10200).