. No que concerne à forma do céu em particular e de que modo ela avança e flui, isto é incompreensível até para os anjos. Pode-se obter alguma idéia disso pela forma de tudo no corpo humano quando examinada e perscrutada por um homem perspicaz e sagaz, pois acima se mostrou, em seus capítulos, que todo o céu representa um só homem (veja-se ns. 59-72) e que todas as coisas que estão no homem correspondem aos céus (ns. 87-102). Quão incompreensível e inexplicável é essa forma, vê-se somente no geral, como pelas fibras nervosas, pelas quais todas e cada uma das coisas são interligadas. Quais elas são e de que maneira avançam e fluem no cérebro, isso nem chega ao olho, pois há ali coisas inumeráveis e complicadas que, tomadas juntas, aparecem como uma massa mole contínua, quando, todavia, todas e cada uma das coisas que são da vontade e do pensamento fluem segundo elas e de modo muito distinto nas ações. De que maneira elas de novo se conectam no corpo, vê-se pelos vários plexos, como o cardíaco, o mesentérico e outros, como também pelos nós que se chamam gânglios, em que entram um grande número de fibras de todas as partes, misturam-se ali e dali saem de outra maneira unidas para as funções e isso de novo e de novo, além de coisas semelhantes em cada uma das vísceras, dos membros, órgãos e músculos. Quem examina essas e muitas outras coisas admiráveis ali com um olho sábio fica atônito. E essas que o olho vê ainda são poucas; as que não vê são ainda mais admiráveis, porque estão na natureza interior. Que essa forma corresponda à forma do céu, vê-se claramente pela operação de tudo do entendimento e da vontade nelas e segundo elas. Com efeito, tudo o que o homem quer, passa, segundo elas, espontaneamente ao ato; e tudo o que pensa percorre as fibras, desde os seus princípios até os seus extremos, donde resulta o sentido. E como é a forma do pensamento e da vontade, é a forma da inteligência e da sabedoria. É essa forma que corresponde à forma do céu. Assim se pode saber que é segundo tal forma que se estende toda afeição e todo pensamento dos anjos e que, quanto mais estão na inteligência e na sabedoria, mais estão nessa forma. Que essa forma do céu seja proveniente do Divino Humano do Senhor, veja-se acima (ns. 78-86). Essas coisas foram referidas para que se saiba que a forma do céu é tal que não pode ser jamais esgotada quanto às coisas gerais e, assim, que é incompreensível até para os anjos, como foi dito acima.
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