. A linguagem dos anjos é também cheia de sabedoria, porque procede do seu pensamento interior e o seu pensamento interior é sabedoria, assim como a sua afeição interior é o amor. Seu amor e a sabedoria se conjuntam na linguagem, pelo que esta é tão cheia de sabedoria que eles podem exprimir em uma só palavra aquilo que o homem não pode exprimir em mil. E, também, as idéias de seu pensamento envolvem coisas tais que o homem não pode compreender e, ainda menos, falar. Assim é que as coisas que são ouvidas e vistas no céu se dizem inexplicáveis e tais que nunca o ouvido ouviu nem o olho viu. Que isso seja assim, também me foi dado saber pela experiência. Fui, às vezes, enviado ao estado em que os anjos estão e nesse estado falei com eles e, então, entendi todas as coisas. Mas, quando estava de volta ao meu estado anterior e, assim, no pensamento natural próprio do homem, e quis trazer de volta à mente o que ouvi, não pude. Com efeito, havia milhares de coisas que não eram adequadas às idéias do pensamento natural, assim, inexprimíveis exceto pelas variações da luz celeste e, por conseguinte, de modo nenhum por palavras humanas. As idéias dos pensamentos dos anjos, de que procedem suas palavras, são também modificações da luz do céu, enquanto as afeições, de que vem o som das palavras, são variações do calor do céu, porquanto a luz do céu é o Divino vero ou a sabedoria e o calor do céu é o Divino bem ou o amor (veja-se acima, ns. 126-140). Do Divino amor existe a afeição para os anjos e da Divina sabedoria existe para eles o pensamento *172. *172 Que as idéias pelas quais os anjos falam ocorram pela luz do céu em admiráveis variações (n. 1646, 3343, 3993).