. Os que falam com os anjos do céu também vêem as coisas que há no céu, porque vêem pela luz do céu na qual estão os seus interiores. Também por eles os anjos vêem as coisas que há na terra *179. Com efeito, nesses o céu está conjunto ao mundo e o mundo conjunto ao céu, pois, como foi dito acima (n. 246), quando os anjos se voltam para o homem, conjuntam-se a ele de tal modo que não sabem outra coisa senão que as coisas do homem são suas, não somente as que são de sua linguagem, mas também as que são vistas e ouvidas. O homem, por sua vez, não sabe outra coisa senão que as coisas que os anjos influem são suas. Numa conjunção assim com os céus viveram os antiqüíssimos nesta terra, pelo que esse tempo foi chamado Idade de Ouro. Os que reconheceram o Divino sob a forma Humana, assim, o Senhor, falaram com os anjos do céu como se com os seus, e os anjos do céu, por sua vez, com eles como se com os seus; neles, o céu e o mundo fizeram um só. Mas, após aquele tempo, o homem afastou-se sucessivamente do céu pelo fato de se ter amado mais do que ao Senhor e ao mundo mais do que ao céu. Daí começou a sentir prazer no amor de si e do mundo separado do prazer do céu e, finalmente, até não saber mais o que era outro prazer. Então os interiores, que estavam abertos para o céu, foram fechados, enquanto os exteriores para o mundo foram abertos. Quando acontece isso, o homem está na luz quanto a todas as coisas que são do mundo e nas trevas quanto a todas as coisas que são do céu. *179 Que os espíritos, pelo homem, nada possam ver do que está neste mundo solar, mas que o tenham visto por meus olhos; a razão disso (n. 1880).