HH 260

O Céu e o Inferno
Emanuel Swedenborg
O Céu e as suas Maravilhas, e o Inferno, Segundo o que foi ouvido e visto

. Certa vez, também, foi-me enviada do céu uma pequena folha de papel em que foram escritas somente algumas letras hebraicas; foi dito que cada uma das letras encerra arcanos da sabedoria e que nelas há inflexões e curvaturas das letras e também do som. Assim tornou-se-me evidente o que é significado por essas palavras do Senhor:
“Amém vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um iota ou nem um til [corniculum] passará da Lei” (Mat. 5:18).
Que a Palavra seja Divina quanto a todos os seus acentos, também se sabe na igreja. Mas onde é que o Divino se encerra em todo acento [apex], ainda não sabe, pelo que se dirá. A escrita no céu íntimo consiste de várias formas inflexivas e circunflexas e as inflexões e circunflexões são segundo a forma do céu. Por elas os anjos exprimem os arcanos de sua sabedoria, além de muitas coisas que não podem enunciar pelas palavras. E, o que é admirável, os anjos a conhecem sem estudo e sem mestre; está gravada em sua própria linguagem (de que se tratou no n. 236). É por isso que essa escrita é a escrita celeste. Que ela seja gravada, é porque toda extensão dos pensamentos e das afeições e, assim, toda comunicação da inteligência e da sabedoria dos anjos caminham segundo a forma do céu (n. 201), pelo que sua escrita flui nessa forma. Foi-me dito que os antiqüíssimos nesta terra, antes da invenção das letras, tiveram também essa escrita e que ela foi traduzida nas letras da língua hebraica, letras essas que, nos tempos antigos, eram todas inflexas e não como hoje, algumas terminadas como linhas. Assim é que na Palavra há Divinos e arcanos do céu também nos iotas, acentos [apicibus] e tiles [corniculis].

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