HH 269

O Céu e o Inferno
Emanuel Swedenborg
O Céu e as suas Maravilhas, e o Inferno, Segundo o que foi ouvido e visto

. Qual é a sabedoria dos anjos, não se pode descrever por palavras, mas somente ilustrar por algumas coisas gerais. Os anjos podem exprimir em uma palavra coisas que o homem não o pode em mil; e, além disso, numa palavra há para os anjos inúmeras coisas que não podem ser expressas com as palavras da língua humana, porque em cada coisa que os anjos falam há arcanos da sabedoria numa ligação contínua que as ciências humanas não podem alcançar. Também, aquilo que não podem traduzir pelas palavras de sua língua, os anjos o suprem pelo som, no qual está a afeição das coisas em sua ordem, pois, como foi dito acima (ns. 236, 241), pelos sons eles exprimem afeições e, pelas palavras, as idéias do pensamento procedente das afeições. Assim é que as coisas que são ouvidas no céu se chamam inexplicáveis. Os anjos também podem resumir numa palavra todas as coisas que foram escritas em alguns volumes de livros e encerrar em cada palavra coisas tais que elevam a uma sabedoria interior. Com efeito, a sua linguagem é tal que concorda com as afeições e cada palavra concorda com as idéias. As palavras também variam de modo infinito, segundo a série das coisas que estão em conjunto no pensamento. Os anjos interiores também podem, pelo som e por algumas palavras de quem está falando, conhecer toda a sua vida, pois, pelo som diversificado pelas idéias nas palavras, percebem o seu amor reinante, o qual está gravado, por assim dizer, em todas as singularidades de sua vida *186. Por esses exemplos é evidente qual é a sabedoria dos anjos. A sua sabedoria está para a sabedoria humana assim como a miríade está para a unidade. É, comparativamente, como as forças motrizes de todo o corpo, que são inumeráveis, para a ação proveniente delas, as quais aparecem aos olhos como se fossem uma só, ou como milhares de objetos visto com um perfeito microscópio para um só objeto visto obscuramente a olho nu. Quero ilustrar o assunto também com um exemplo: um anjo, por sua sabedoria, descreveu a regeneração e proferiu sobre ela arcanos às centenas e cada arcano ele encheu de idéias nas quais havia arcanos mais interiores e isso do princípio ao fim. Com efeito, expôs de que modo o homem espiritual é de novo concebido, gerado num útero, por assim dizer, nasce, cresce e é sucessivamente aperfeiçoado. Disse que poderia aumentar o número dos arcanos até alguns milhares e que essas coisas eram somente sobre a regeneração do homem externo e que existem coisas mais inumeráveis sobre a regeneração do interno. Por estas e outras coisas semelhantes que foram ouvidas dos anjos tornou-se-me evidente quanta sabedoria eles têm e, relativamente, quão grande é a ignorância do homem, que mal sabe o que é regeneração e nada sabe das fases da progressão quando é regenerado.

*186 Aquilo que no homem é universalmente reinante ou dominante está em cada coisa de sua vida, assim, em todas e cada uma das coisas de seu pensamento e sua afeição (n. 4459, 5949, 6159, 6571, 7648, 8067, 8853-8858). Que o homem seja tal qual é seu amor dominante (n. 917, 1040, 8858); ilustrado por exemplos (n. 8854, 8857). Que aquilo que reina universalmente faça a vida do espírito do homem (n. 7648). Que isso seja sua vontade mesma, seu amor mesmo e o propósito de sua vida, porque aquilo que o homem quer, isso ama e ama aquilo que tem por propósito (n. 1317, 1568, 1571, 1909, 3796, 5949, 6936). Que, assim, o homem seja tal qual é sua vontade, ou tal qual é seu amor reinante, ou qual é o propósito de sua vida (n. 1568, 1571, 3570, 4054, 6571, 6935, 6 938, 8856, 10076, 10109, 10110, 10284).

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