. Como a inocência é ser conduzido pelo Senhor e não por si mesmo, por isso todos os que estão no céu estão na inocência, pois todos os que ali estão amam serem conduzidos pelo Senhor, pois sabem que conduzir-se a si mesmo é conduzir-se pelo proprium; o proprium é amar a si mesmo e quem ama a si mesmo não se deixa conduzir pelos outros. Assim é que quanto mais o anjo está na inocência, mais está no céu, isto é, mais está no Divino bem e no Divino vero, pois estar nestes é estar no céu. Por isso os céus são distintos segundo a inocência: os que estão no céu extremo ou primeiro estão na inocência em seu grau primeiro ou mais externo; os que estão no céu médio ou segundo estão na inocência no grau segundo ou médio; mas os que estão no céu íntimo ou terceiro estão na inocência em seu grau terceiro ou íntimo, pelo que estes são a inocência mesma do céu, pois, mais do que os outros, amam ser conduzidos pelo Senhor como as crianças por seu pai. Por isso, também, o Divino vero - seja imediatamente pelo Senhor, seja mediatamente, pela Palavra e pelas prédicas - que ouvem, logo recebem na vontade a o praticam e, assim, aplicam-no à vida. Daí eles terem tanta sabedoria, mais do que os anjos dos céus inferiores (veja-se ns. 270, 271). Como esses anjos são tais, por isso estão próximos do Senhor, de Quem lhes vem a inocência e também são separados do proprium ao ponto de viverem no Senhor, por assim dizer. Eles parecem simples na forma externa e, aos olhos dos anjos dos céus inferiores, como crianças, até pequeninas e, também, como se não soubessem muito, embora sejam os anjos mais sábios dos céus, porque sabem que nenhuma sabedoria têm por si mesmos e que saber é reconhecer isso. Também, que aquilo que sabem é como se fosse nada em relação ao que não sabem. Dizem que saber, reconhecer e perceber isso é o primeiro degrau para a sabedoria. Esses anjos também vivem nus, porque a nudez corresponde à inocência *192. *192 Que todos no céu íntimo estejam na inocência (n. 154, 2736, 3887). E que por isso pareçam aos outros como crianças (n. 154). Que também vivam nus (n. 165, 8375, 9960). Que a nudez seja a inocência (n. 165, 8375). Que seja também um costume dos espír itos, para provar a inocência, tirarem suas vestes e se apresentarem nus (n. 8375, 9960).